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O Lar Conde de Agrolongo

Nomeio o Lar Conde de Agrolongo como o eleito do meu juízo, para os melhores de Braga

N/D
14 Jun 2004

«Guardai-vos, não façais as vossas boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles, de outra sorte não tereis a recompensa da mão de vosso Pai, que está no céu» (São Mateus).
Quando há dias estive a consultar a classificação de pessoas singulares e colectivas para os melhores de Braga, aguçou-me o apetite para me arvorar em júri ad hoc e fazer à minha custa e risco uma nomeação. E sem que o meu julgamento implique o menor apreço pelos que foram nomeados, e muito longe está do meu pensamento pensar que não merecem a distinção, julgo mesmo que sim, que a merecem em larga escala, entendo, no entanto, que existe uma instituição secular, o Lar Conde de Agrolongo, que deve igualmente ser nomeado. Senão para uns, pelo menos para mim.

Com todo o carinho saúdo o voluntariado que ali se pratica, desde as Irmãs que fazem da doação diária uma rotina, até aos seus dirigentes que fazem da causa daquela Casa, a causa das suas vidas. E, sem alardes, no consolo íntimo de quem partilha uma comunhão, eles, uns e outros, ali prestam os seus serviços sem receberem um cêntimo, uma benesse, ou esperar medalhas de espavento ou reconhecimento público.

Não são aqui que se gastam as medalhas do 10 de Junho! Apenas colocando nas acções os anseios espelhados nos olhos dos que lá se recolhem, assim são os seus desempenhos. Almas nobres e belas, tão discretas como a discreta violeta dos caminhos. Mas, como elas, exalando um suave perfume que inebria as sensibilidades ocultas. Pétalas desfolhadas de corolas bonitas, são sempre tapetes de flores por onde passa a solidariedade humana. E aqui há-as aos rodos.

Não queremos referir e dar nota do que se fez, ao longo dos tempos e, muito especialmente, há bem pouco tempo, em termos de melhorias logísticas. Isso seria comercializar os sentimentos; essas melhorias não têm como propósito, nem a visibilidade da propaganda, nem os objectivos últimos da comercialização. Fazem-se, e continuar-se-ão a fazer-se, por acréscimo e respeito à dignidade humana.

Este humanismo é tão puro como a água cristalina que brota da nascente primeira do cristianismo. As pessoas têm-se uns aos outros. É mais que uma igualdade, é uma irmandade. Ser igual não significa ser irmão. Eis a fronteira onde todo o materialismo ateu se esgota e onde todo o cristianismo se encontra. Eles são uma só família porque têm tudo em comum desde a solidariedade de todos para com todos até à partilha da mesma alimentação. E tanto é igual o que paga trinta como o que paga duzentos.

Esta distribuição pela partilha, em igualdades e não pela partilha das possibilidades económicas, é um enlevo e um requinte de divisão porque sem necessidade, ou recurso ao roubo da propriedade.

O Lar Conde de Agrolongo tudo isto faz sem necessidade de tocar a trombeta diante de quem quer que seja para ser mais honrado diante dos homens. Por todo este silêncio elegante e bom, bom e sóbrio, sóbrio e efectivo é que eu nomeio o Lar Conde de Agrolongo como o eleito do meu juízo, para os melhores de Braga.




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