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Esperança para Portugal

A letra de uma música bem conhecida de todos nós diz «pergunto ao vento que passa notícias do meus país». Quem as escreveu estava exilado no estrangeiro, quando proferiu este desejo de saber o que se passava em Portugal.

N/D
11 Jun 2004

E nós, que estamos em Portugal ou espalhados pelo Mundo, se perguntássemos ao vento quais as notícias do nosso país, o que ele transmitiria?

Talvez dissesse: milhares de pessoas saem às ruas a festejar as vitórias do FCP, seja como vencedor da 1.ª Liga de Futebol, seja como Campeão Europeu. Os políticos infligem insultos uns aos outros, deixando o povo estupefacto com tal espectáculo. Há rock in rio, em Lisboa, juntando dezenas de milhares de jovens em espectáculos musicais.

As selecções nacionais de futebol chegam a Portugal para o Euro 2004. Os preços dos combustíveis continuam a subir. No Iraque mais uma dezenas de mortos, mas nenhum é português, etc.

E podíamos continuar com a nossa panóplia de casos, cheios de lamúrias e vazios de conteúdo. Tal como nos é dado ver, parece que o nosso país se resume a festas de futebol e a notícias tristes para a maioria dos portugueses. Parece que nada de positivo acontece neste pe-queno rectângulo, no oeste da Europa.

Cada vez mais nos é dada a impressão de que somos o Velho Oeste, não da América, mas da Europa. Estamos geograficamente a oeste de todos os outros países da União Europeia e a lei da bala parece suplantar a justiça. Os bandos ou gangs aparecem aqui e acolá, dando a ideia de tomar conta das nossas cidades e aldeias, tal e qual os cowboys dos filmes americanos.

Portugal não é nem uma «república das bananas» nem o «farwest». É uma nação livre e soberana, uma pátria onde reside um povo livre, que nunca se dobrou a interesses pessoais ou estrangeiros. Os portugueses nunca dormiram perante o perigo, e disso deram provas no passado, lutando pelos seus ideais e pela libertação dos povos irmãos (Timor), mas agora parecem anestesiados, transmitindo a noção de um povo amorfo que só se move quando há «pão e circo», e de preferência de graça.

Começam a surgir luzes de esperança, o déficit económico vai desaparecendo, apareceu entre nós um movimento chamado de «Portugal positivo». Na verdade há que dar um pensamento positivo a toda a nação, ela não pode andar a reboque dos remates e novelas desportivas, nem se deixar afogar no que alguns «velhos do Restelo» querem fazer crer que é a realidade – a luta desenfreada de classes.

Os portugueses são um povo empreendedor e progressista, que luta pelo engrandecimento da sua pátria, não com o objectivo de dilatar o império, mas com a certeza de garantir um futuro melhor para si e para os seus descendentes, integrando todos os que quiserem viver segundo o nosso ideal de sociedade e coexistência democrática e plural.

Portugal tem de ter esperança, não pode cair, nem deixar-se atolar no pântano do caos político, social e moral. Todos têm o dever cívico de dar o seu melhor à sociedade, sem egoísmos e hedonismos, em prol do bem comum. Só com esta preocupação pela alteridade, olhando o outro como o reflexo de si mesmo, se poderá construir um Portugal com esperança, integrado na família das nações da Europa e do Mundo.




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