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Duas barcas

A doutrina missionária de hoje é, para muitos cristãos, autêntica terra de missão

N/D
11 Jun 2004

Tal como aconteceu com a recente sondagem sobre os Religiosos em Portugal, cujos resultados geraram perplexidades, julgo que o comum dos cidadãos, inclusive católicos, se sente um pouco confundido com os desdobramentos da palavra Missão.
Fala-se em missão na cidade quase ao mesmo nível e com significado semelhante que numa aldeia africana ou asiática desconhecida em qualquer mapa. Diz-se que é missão atravessar a rua e falar de Jesus ao cidadão que mora defronte da catedral, como falar da Boa Nova ao Ameríndio que comunga com o sol, as águas e as árvores o infinito do Grande Ser.

É missionário o que parte e o que fica, o que entrega a sua vida de forma consagrada total e o que disponibiliza, em breve estágio, alguns tempos e generosidades da sua complexa agenda de vida. Por outro lado, no caso português e na era pós-colonial, muitos missionários “ficaram por cá” com uma espécie de escrúpulo sobre “o direito a incomodar” outros povos que lá têm os seus profetas.

A tudo isto se junta a perspectiva de que a torrente de Deus passa por circuitos inesperados. O carisma pessoal e a narrativa religiosa por novas inculturações podem conduzir a um “excesso” de cálculo, antes de partir na barca da Boa Nova.

O que acima se disse não é, de longe ou de perto, uma crítica aos novos tempos e aos extraordinários sinais inspiradores de Missão que os nossos dias oferecem.

Vivemos uma autêntica purificação de razões e uma clarividência progressiva do sentido de Missão. E há Institutos Missionários em Portugal verdadeiramente esclarecidos e mobilizados nesta matéria.

O recente simpósio sobre Missionação veio oferecer uma corajosa análise da história de ontem e de hoje como tempo de Missão, com contornos diferentes mas de igual urgência em dinamismo evangélico.

Ao afirmar que «o Missionário é a primeira terra de Missão… que aceita andar na contra mão a semear vida e esperança», reconhece a premência de braços para as duas barcas: a que atravessa o rio que já ouviu (e porventura esqueceu) o Evangelho e a que atravessa os longínquos oceanos onde é vago o nome de Deus, sem referência expressa a Seu Filho Jesus.

A doutrina missionária de hoje é, para muitos cristãos, autêntica terra de missão.




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