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Antes e acima de tudo a verdade

Não faltam os arautos da beneficência, sobretudo quando pretendem obter êxitos pessoais de natureza propagandista

N/D
9 Jun 2004

Estamos, infelizmente, habituados ao silêncio dos políticos, quando os seus adversários se impõem com factos e não com palavras ocas. Temo-lo verificado em longos anos que já caíram sobre a morte de Salazar, do qual falam as suas obras que a História já registou, mas que os seus inimigos políticos calam e, quando podem, não permitem que se projectem para o público.
Assim aconteceu nos primeiros tempos da Democracia em Portugal, quando os comunistas se apoderaram do poder. E mesmo depois que foram corridos, continuam a vomitar, quando o podem fazer, mentiras.

Curioso registar a bela lição que Champalimaud, recentemente falecido, deu aos portugueses e aos que se dizem portugueses mas prestam homenagem aos seus “mestres”, e não à verdade, à justiça, à História. Champalimaud foi vítima do 25 de Abril: roubaram-lhe tudo e não lho restituíram.

Este homem deu aos seus inimigos uma bela lição. Retirou-se para o estrangeiro e construiu uma grande empresa. E, quando pôde regressar a Portugal, contemplou a sua obra realizada destruída pela política adversa e do nada construiu um império económico, que lega aos filhos e lega, em grande, ao País. A este, em testamento, deixa 500 (quinhentos) milhões de euros, que na nossa moeda antiga, o escudo, são 100 (cem) milhões de contos.

Com o 25 de Abril, roubaram-no e, apesar da evolução do tempo político, não recupera nada. Constrói de novo.

A capacidade intelectual era notável e nobre e como notável fez uma nova e grande fortuna, e a nobreza manifestou-a em toda a sua vida e, até, quando se referiu a Salazar, de quem disse: «Salazar tinha a sua maneira de ser; foi um homem incorruptível e um grande português. O 25 de Abril foi a maior desgraça que sucedeu a Portugal desde sempre».

O jornalista João Coito comenta a conduta de Champalimaud, em relação a Portugal, com estas palavras: «Um País a quem queria como ninguém, ao qual legou, mesmo depois de tantas patifarias, uma grande parte da sua imensa fortuna, a maior algum dia construída em Portugal».

Não é fácil deparar com gestos da natureza dos de Champalimaud. Só por uma grande paixão por Portugal é que se pode compreender que regresse ao local onde o maltrataram e o roubaram.

Uma lição extraordinária neste começo do século XXI que deveria ser vivida ainda que com sacrifício. Este, o sacrifício, exige preparação atempada.

João Coito assinala o gesto de Champalimaud em artigo recente no semanário “O Diabo”, onde escreve: «Champalimaud deixou para a fundação, que terá o nome dos seus pais, 500 milhões de euros, 100 milhões de antigos contos!…

Se somos dez milhões ainda, cabe a cada um dez mil escudos!… Uma quantia enorme, que vai ser gasta, segundo a sua vontade, a descobrir caminhos novos para atacar a doença, para nos dilatar a saúde!…

Foi assim que Champalimaud respondeu à vilania de muitos, que agora se calam, rabinho entre as pernas, tolhidos de vergonha, mesmo sem coragem para aplaudir o seu gesto, que foi a lição maior que nos podia dar».

Não faltam os arautos da beneficência, sobretudo quando pretendem obter êxitos pessoais de natureza propagandista. Quando surgem as exigências morais para o cumprimento das promessas ou das palavras criticas, apelam para o Estado a fim de que os substitua. Com factos desta natureza e outros que já conhecemos, porque publicados, avaliamos com facilidade e objectividade a vida actual de quem se encosta à política e se vangloria dos seus actos.

Com a “Revolução de Abril” os revolucionários cometeram, bem como os serviços de inspecção, falhas graves que uma publicação recente sintetiza neste título: «Relatório sobre presos políticos de 1975 foi um “escândalo”».

Estamos a ver como em Portugal se tem agido neste campo e de acordo com os interesses políticos vêm para público relatórios que desrespeitam a verdade.




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