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Vão-se os ninhos… e não fica a saudade!

Felizmente, nem todos estão vendidos e há quem queira que as coisas mudem de facto

N/D
8 Jun 2004

Na semana passada o seleccionador português fez um apelo para que todos os portugueses colocassem nas janelas ou varandas de suas casas uma bandeira de Portugal como demonstração de unidade em torno da selecção nacional. Este é um gesto simples mas que tem um significado bastante importante para a imagem de Portugal na Europa.
De facto, a unidade em torno das grandes causas nacionais ou locais pode ser um factor determinante em relação ao seu sucesso. Se em tempo de Europeu de Futebol é legítimo apelar aos portugueses para que se reúnam em torno da nossa selecção, independentemente das suas preferências clubistas, também é imperativo que os Portugueses se unam em torno de outras causas, não menos nobres, e que serão determinantes para o seu futuro como indivíduos e para a própria comunidade portuguesa.

Há causas que, mais do que nobres, são urgentes e imperativas. Braga é uma cidade politicamente desgastada, lançada para a sarjeta da gestão autárquica e virada para uma dúzia de senhores que se julgam acima de toda e qualquer suspeita. Os tempos de mudança e os ventos da nova esperança começam a fazer-se sentir em todo o país… esperamos que cheguem rapidamente aqui à nossa urbe.

Este velhinho executivo já não esconde os vícios e a falta de vigor, típicos da idade, que tornam a sua acção vazia e sem graça. Não há ideias, não há políticas, não há nada mais do que a velha rotina dos mesmos para os mesmos. São orçamentos cuja disparidade com o custo real chega a atingir 180%, são prédios a desabar, são rios sem peixinhos… enfim, um sem número de coisas que fazem com que a maçã apodreça a cada dia que passa e que as acções dos mesmos para os mesmos já façam parte da vida quotidiana da cidade.

Nos “ninhos” vemos “os pássaros” do costume, autênticos filhos do sistema, reféns do edil, aprisionados à desonra de comer sempre do mesmo “tacho” sem nunca aprenderem a “voar”. Interessante será verificar como se desenrascarão quando o sistema os deixar órfãos… quando o dinossauro-mor não der cobertura aos seus negócios… quando já não houver “jobs for the boys”! Quanto mais se sobe… maior é a queda!

Entre apitos e bandeiras, entre orçamentos e contas, entre cadeiras e bancos… alguém há-de levar o “filete” para casa e aí valerá a velha máxima do “salve-se quem puder”.

Certamente, os filhos deixarão de o ser, os ricos passarão subitamente a ser pobres, os ninhos levá-los-á o vento e quem quiser que aprenda a “voar”.

Felizmente, nem todos estão vendidos e há quem queira que as coisas mudem de facto. Há pessoas que lutam com todas as armas que têm contra o sistema (os “pássaros” e o “dinossauro”), sem nunca porem em causa a validade e justiça dessa luta.

O projecto de mudança em Braga existe… as instituições que darão corpo a esse projecto têm vontade de o fazer e os homens que encabeçarão esta luta, aqueles que “que vão pegar o toiro pelos cornos” estão com mais vontade e mais determinação do que nunca. Só falta a adesão daqueles que têm sido os verdadeiros lesados… as verdadeiras vítimas do sistema.

Falo obviamente de todos os cidadãos que têm de lidar todos os dias com um trânsito caótico (cujo “pássaro” que o idealizou certamente não sofre as suas consequências), que vivem em zonas habitacionais que mais parecem “guetos” e onde o termo qualidade de vida nem sequer faz sentido, que vêem as suas crianças sair da porta de casa directamente para uma via rápida onde circulam veículos a alta velocidade… falo de todos os cidadãos bracarenses que percebem a amplitude e o alcance das asneiras que se têm feito nesta cidade, do dinheiro que tem sido deitado fora (ou não), dos erros que já não têm remédio.

Todos têm de se mobilizar para esta luta, para que não tenham responsabilidades na manutenção do sistema, dos “pássaros” e do “dinossauro”.

Há que ter a coragem de assumir posições votando, porque os riscos de quem dá a cara ficarão com aqueles que encabeçarem o projecto que possa servir Braga para que esta fique uma cidade transparente…




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