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Há que melhorar

Somos um povo que, por formação, temos o culto da dignidade humana porque esta ée dá sentido à vida

N/D
7 Jun 2004

Portugal continua a aparecer referenciado pela Assembleia Internacional como um país onde a justiça é lenta, onde há maus tratos praticados pelas autoridades policiais, sobrelotação e violência nas cadeias e casos de racismo.

Fico mais angustiado do que admirado, até porque é verdade o que se diz no relatório e de nada me alivia o facto de países como os Estados Unidos, a China, a Coreia do Norte, Angola, Cuba, Israel e Guiné-Bissau, serem acusados de violações de direitos humanos numa escala imensamente maior e mais significativa das perpetradas por Portugal.

Na China “dezenas de milhares de pessoas continuam a ser detidas ou aprisionadas em violação dos seus direitos à liberdade de expressão e associativismo”. Mais um capítulo para Cisnes Selvagens – três filhas da China – de Jung Chang? Neste, a autora conta coisas e factos verídicos; pode-se ali ver como pouco ou nada contam as pessoas quando estão em causa objectivos políticos sem valores respeitadores da pessoa humana, para a implantação de um regime autoritário, sem escrúpulos, nem sensibilidade humanitária.

Leiam e vejam o que sucedeu ao pai da autora, apesar de ter sido um crédulo discípulo das ideias maoistas! Se olharmos para o relatório da AMI podemos observar que, com excepção dos Estados Unidos todos os restantes países mencionados são ditaduras, ou democracias musculadas. Na Coreia do Norte a mais pequena manifestação de oposição ao regime é punida com a morte.

Em Cuba sabemos bem dos anseios de fuga que têm estado presentes na maioria dos habitantes da ilha de Fidel Castro. Se fossem lá felizes por que razão desejariam fugir do “paraíso”? E porquê Angola e Guiné-Bissau, aliás os únicos países africanos a serem mencionados? Porque também eles são democracias empacotas em papel vermelho. E como se explica a menção aos Estados Unidos? pela sua desastrada intervenção no Iraque.

O sr. Bush, um dia, talvez depois de perder as próximas eleições, terá muito que se explicar: seria julgado por crimes de guerra se não fosse presidente dos Estados Unidos da América. Is-rael aparece pelo comportamento do seu exército: homicídios, entraves à assistência que podem ser também considerados crimes de guerra. Um dia serão julgados como foram os nazis em Nuremberga.

Tudo isto é medonho e monstruoso. Portugal está a anos luz do que se pratica nesses países no que diz respeito aos Direitos Humanos. Somos um povo que, por formação, temos o culto da dignidade humana porque esta é e dá sentido à vida. Mas não são as faltas dos outros, por mais graves que elas sejam, que tornam as nossas menos culposas.

Antes devem servir, no cômputo das coisas, para vermos que ainda temos muito que melhorar para não sermos referenciados, neste como em qualquer outro relatório internacional, quando se fale de atropelo aos Direitos Humanos.

E gostaríamos sinceramente de não sermos apontados como racistas porque nos territórios por onde andamos, – África, América, Ásia e Oceânia -, fizemos uma coabitação de que nos podemos orgulhar; ao contrário do segregacionista de que nos imputam pela fraca integração social da raça cigana, – que estes nos ajudem também -, os portugueses podem dar lições de miscegenação. Olhemos o exemplo gigantesco do Brasil.




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