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Do insulto virá alguma coisa boa?

De insulto em insulto fomos degradando os valores, a moralidade e o estado psicológico colectivo

N/D
7 Jun 2004

Eis a descoberta mais luminosa dos últimos dias em Portugal: no Parlamento e na comunicação social, nas lides políticas e sindicais, nas ruas e nas estradas, nas famílias e nas escolas, no trabalho e no desporto… há insultos. Mas por onde terão andado até agora estes iluminados? Porque será que os insultos só têm significado quando atingem os da nossa simpatia, partido, clube, grupo ou tendência? Terão as palavras e os gestos significação diferente quando os ‘adversários’ atingem a (pretensa) honra dos ofendidos?
De facto, esta discussão à volta do insulto já devia ter sido feita há muito, muito tempo:

– Quando se rotula o ‘direito à indignação’ como qualidade democrática – de altíssimo nível porque vinda de um opositor ao poder reinante! – não estaríamos já a criar/contribuir/fomentar este nivelamento pelos pés, que agora desemboca na frivolidade do debate, seja qual for a instância?

– Quando nas entrevistas televisivas – com um ou vários intervenientes, a fazer ou a ouvir perguntas – não se respeita a linha de pensamento nem o fio condutor de quem está a discorrer, não estaríamos já a contribuir/fomentar para este clima de malcriadez actual onde cada qual o que pretende é confundir quem ouve ou quem fala?

– Quando as ofensas têm coloração ideológica – da esquerda à direita é ‘forma de expressão’; desta àquela é ‘ataque’; ou será o contrário esse entendimento recíproco?

– vituperando os adversários e adulando os amigos, não estaremos a fomentar/criar esta crise de confiança naqueles que têm a responsabilidade de pôr os seus interesses ao serviço do bem comum?

… E de insulto em insulto fomos degradando os valores, a moralidade e o estado psicológico colectivo.

O respeito – pela autoridade, pelos adversários ou pelos companheiros – não se impõe por decreto: ou se merece ou se conquista. Em Portugal estamos – feliz ou infelizmente – nesta segunda etapa. Assim consigamos chegar lá depressa, sem grandes lições de moral, mas com a confiança e a valorização (sobretudo) daqueles/as que não são da nossa parte.




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