Fotografia:
Chover no Molhado (36)

O “Eixo do Mal” encontra-se na Pessoa. É a Pessoa que o constrói e o torneia à sua maneira. E a Pessoa só é “Eixo do Mal” quando se vira de pernas para o ar relativamente à sua maturidade e saúde psíquica.

N/D
6 Jun 2004

E a Pessoa vira-se de pernas para o ar relativamente à sua maturidade e saúde psíquica e, porque não também à sua saúde orgânica, quando corta o cordão do novelo da sua integridade, portanto, da sua unidade. E a Pessoa corta este cordão quando isola algo de inerente à sua unidade, à sua totalidade, à sua integridade.
E isola-os quando, fragmentando a sua unidade, deixa de estabelecer, ou de restabelecer, correlações inteligentes amoráveis, frutíferas, dinâmicas e progressivamente ajustadas, não só consigo mesmo, mas também com o outro, com a natureza, com o Cosmos e com Deus.

Tudo tem de estar em tudo. O meu “Tudo” tem de estar, pelo menos virtualmente, no todo. Tudo tem de desabrochar, no sentido de abertura e de aceitação, em amor, amor inteligente, com o outro, com o todo.

É também por aqui que amadurece, revigora, cresce e se desenvolve em nós, a harmonia, o equilíbrio, a espiritualidade, como irrejeitáveis forças dinâmicas de toda a nossa cooperação frutífera, em ordem à reconstrução da paz do Mundo.

Caro leitor: eu não sou investigador. Não sou cientista, nem filósofo. Sou como o armazenista, que vai à procura dos produtos cultivados pelos cientistas e filósofos, e os recolhe, os traz, os conserva em seu armazém, o qual se deseja arejado, limpo e luminoso, a fim de os distribuir sem perderem as qualidades de origem.

Vou, então, à dinâmica das luzes, séculos 17 e 18, recolher esses produtos, cultivados por eminentes filósofos e cientistas, tais como Descartes, Espinosa, Newton, Locke, Berkeley, Hobbes, entre outros.

Vou etiquetar alguns dos seus produtos com o selo de bons lubrificantes do “Eixo do Mal” e, portanto, como alguns produtos que, hoje, se tem de evitar consumir e assimilar. Segundo me parece, vamos encontrar neles o cordão umbilical de muitos dos nossos actuais males e desacordos, cuja vivência, embora com certas nuances, continua ainda a incomodar, com apreensões, a sociedade dos nossos dias. Pelo menos, creio eu, a sociedade Euro.

Vou começar por aqui. Vou começar pela repressão desastrosa das nossas potencialidades, quer afectivo-emocionais, quer espirituais, motivada por forças abertamente e excessivamente, racionalistas, utilitaristas, mecanicistas e, advindo como seu reforço, a força das revoluções industriais.

(continua)




Notícias relacionadas


Scroll Up