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Eleições europeias: um direito tornado dever

O dever de votar é – e deverá sê-lo com carácter obrigatório – fruto da consciência cívica. Não basta reclamar, é importante sentir-se participante. E os cristãos têm redobrada responsabilidade

N/D
4 Jun 2004

Caminhamos a passos largos para a data das eleições para o Parlamento Europeu, que decorrem entre 10 e 13 de Junho próximo. No caso português somos chamados a votar no dia 13 de Junho: domingo, dia de Santo António, feriado municipal em dezenas de concelhos e, particularmente, final de “ponte” entre 10 e 13, isto é, mini-férias rumo às praias ou lugares de veraneio. Diante de certas “farpas” da campanha eleitoral parece-nos oportuno reflectir sobre o significado deste acto eleitoral.

Aquelas agravantes e mais ainda o desinteresse sobre as implicações práticas de votar ou não fazem com que o partido da abstenção se perfile como o (possível) mais votado. Mas o que é que está em causa nestas eleições? Será grave – como disseram recentemente os Bispos europeus reunidos em Santiago de Compostela – não participar neste acto eleitoral?

Que critérios devemos ter para a nossa escolha? Que razões assistem aos mentores da “Petição Deus e a Europa” para nos darem a informação sobre o voto dos deputados portugueses na questão sobre as raízes cristãs da Europa? Serão estas eleições europeias um plebiscito à governação actual? Como podemos contribuir para o empenhamento activo nestas eleições em ordem à construção da (dita) União Europeia? O que é que está mesmo em confronto?

Tentemos, mesmo que sucintamente, responder a estas questões:

* Antes de mais são eleições para o Parlamento Europeu, isto é, vamos eleger os representantes dos países e das famílias políticas que irão influenciar ideológica e culturalmente os destinos gerais, regionais e internacionais nos próximos anos. Por isso, fazer destas eleições uma apreciação de qualquer governo seja de que país for será extrapolar conclusões, precipitando conjecturas e tentando colher resultados incertos.

Com efeito, pouca influência tem (ou terá) uma figura ilustre de qualquer país ao tentar destoar no contexto desta Europa ao ritmo de 25. Veja-se o bluff que foi a tentativa de um eminente dinossauro lusitano – nas últimas eleições – a querer opor-se a uma eleita francesa. Os “nossos valores” caseiros esfumam-se lá fora! As grandes famílias ideológicas na Europa ainda são o grupo socialista e os populares. É aí que se trava a batalha. E neste caso o futuro Presidente da Comissão Europeia será com certeza o representante do mais votado… nestas eleições.

* Quanto ao desempenho dos eleitos portugueses pouco se sabe, a não ser que o posto até pode servir de promoção (atenta, subtil e até airosa), de trampolim para outros voos ou mesmo a criar lóbi nas esferas internacionais. Dado que temos um relativo desconhecimento do trabalho desenvolvido, talvez seja útil conhecer a votação (de 24 de Setembro de 2003) sobre «uma referência explícita às raízes cristãs da Europa».

Esta questão é – para nós como cristãos – muito importante. Assim dos doze deputados socialistas oito votaram contra e quatro estiveram ausentes; dos dois comunistas: uma votou contra e outro esteve ausente; os dois populares votaram a favor; dos nove sociais-democratas dois estiveram ausentes e sete votaram a favor.

O juízo é com quem é informado. Mas esconder a questão é, no mínimo, desonestidade intelectual e manipulação em proveito ideológico!

* Votar nestas eleições é, como sempre, um direito e um dever. Um direito a ser construtor da Europa e não mero – já foi tempo só disso – beneficiário de dinheiro sem custo. O dever de votar é – e deverá sê-lo com carácter obrigatório – fruto da consciência cívica. Não basta reclamar, é importante sentir-se participante. E os cristãos têm redobrada responsabilidade: será pelo seu interesse e participação que certos meandros positivistas hão-de saber respeitar a diferença combatendo a indiferença, em vez de reduzirem à estaca zero a cultura europeia sem o contributo do cristianismo.

O jacobinismo do eixo Paris-Berlim não pode vingar. As imposições do directório dos grandes têm de ser combatidas pelo respeito das culturas milenárias específicas.

Agora que a Europa está unida entre os Urais e o Atlântico não nos esqueçamos da raiz comum que nos faz entender, aceitar e dialogar. Ou então o que uniu será factor de guerras e mal-estar.




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