Fotografia:
Da diversidade ao facciosismo… à luz do Pentecostes, hoje!

Se Nosso Senhor Jesus Cristo voltasse à terra não via a Igreja unida, mas via-a reunida, porventura a tratar do mesmo tema/assunto, mas em salas separadas e (até) contíguas!

N/D
31 Mai 2004

Da mesma forma que em toda família, a harmonia interna da Igreja pode ficar comprometida em [várias] ocasiões por uma falta de caridade e pela presença de conflitos entre seus membros. Isto pode levar à formação de facções dentro da Igreja, que com frequência se preo-cupam tanto de seus interesses especiais que perdem de vista a unidade e a solidariedade, fundamentos da vida eclesial», reconheceu, no sábado da Ascensão, o Papa João Paulo II ao encontrar-se com os bispos americanos das províncias eclesiásticas de San António e Oklahoma City.

«Para enfrentar este fenómeno preocupante, os bispos devem actuar com solicitude paterna como homens de comunhão para assegurar que em suas Igrejas particulares se vive como famílias, para que não haja discórdias, mas que os membros do seu corpo tenham a mesma atenção uns aos outros», pediu o Papa. «Isto exige – afirmou João Paulo II – que o bispo trate de superar toda a divisão que possa dar-se em seu rebanho, reconstruir um nível de confiança, reconciliação e mútuo entendimento na família eclesial».

Escutando ainda as sonoras “ventanias” do Espírito Santo em tempo de Pentecostes, sentimos como que uma denúncia e um grito de alerta pela voz de Pedro na manhã actualizada dessa novidade que foi a revelação do Espírito de Deus sobre os Apóstolos em Pentecostes.

– Quando vemos certas congregações/institutos/comunidades a polarizarem-se à volta do líder “carismático” sentimos mais um certo facciosismo do que a construção da Igreja de Cristo;

– Quando vemos uma certa vinculação ao pastor – mesmo que seja padre, bispo ou leigo/a iluminado/a… católico – num seguidismo personalizado, podemos perceber uma quase protestantização, legitimada pelo (mero) reconhecimento da autoridade papal;

– Quando se vai criando a necessidade de atender às (boas) intenções de quantos/as tentam responder às mais urgentes preocupações hodiernas, desde que se não criem obstáculos à prossecução dos intentos grupais, de espiritualidade requentada ou segundo linhas reinantes maioritárias… na mesma região, diocese, movimento ou sector social;

– Quando se nota em tantas das nossas paróquias, em muitos movimentos (ditos) apostólicos e em bastantes responsáveis de associações, irmandades, confrarias e afins… pouco espírito de Diocese, de sentido do Bispo ou da comunhão entre as Igrejas;

– Quando em tempo de crise de vocações à vida consagrada se sente mais a caça de neófitos para o meu grupo, instituto ou congregação, em vez da formação para o compromisso em Igreja… Católica;
Não serão estas situações – e muitas outras mais escandalosas ainda! – reveladoras de algum facciosismo com cobertura de bem–intencionados, mas mal formados na diversidade para a comunhão?

De facto, já há anos ouvimos de um pastor protestante alemão – com quem criámos uma razoável simpatia desde a primeira hora – uma observação profética sobre a subtil anuência católica da multiplicidade de tantos grupos, que, de tão díspares, questionam o significado da pertença à mesma Igreja: «nós protestantes – dizia o tal pastor – pensamos de forma diferente e fazemos uma “Igreja”; vós católicos tendes o mesmo espírito de divisão, mas desde que aceiteis [ao menos na teoria] a autoridade do Papa, sentis-vos na mesma “Igreja”».

Quem olhar a nossa vivência em Igreja Católica nem sempre encontra uniformidade na liturgia: há os mais integristas, os pretensos progressistas e até os situacionistas… sempre numa tentativa de resposta à mentalidade fundacional/funcional ou mesmo sectária. Já terão todos lido a Instrução da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos “O sacramento da redenção”?

Quantas vezes a diversidade se reveste de facciosismo e este germina em frutos de divisão. Como dizia alguém com sabedoria de vida: «se Nosso Senhor Jesus Cristo voltasse à terra não via a Igreja unida, mas via-a reunida», porventura a tratar do mesmo tema/assunto, mas em salas separadas e (até) contíguas!

Ó Espírito Santo, faz-nos sinais de unidade pela diversidade e diversos na convergência para a unidade… em Vós.




Notícias relacionadas


Scroll Up