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Um sábado como os outros

Casar não é encenar uma peça de teatro

N/D
27 Mai 2004

O casamento do Príncipe Felipe com a ex-jornalista Letizia Ortiz em nada alterou o meu dia de sábado. Fiz tudo o que costumo fazer e considero minha obrigação. Não vi nem mais um segundo de televisão, para além do tempo que habitualmente lhe dedico. Como nos outros dias, também o meu sábado foi programado em função do que considero serem os meus deveres e não de acontecimentos que me não dizem respeito. Em princípio não é um programa de televisão que condiciona o meu horário de trabalho.
O casamento, mesmo o de figuras públicas, como é o caso do Herdeiro do trono de Espanha, tem muito de privado e é algo que diz respeito, fundamentalmente, aos noivos.

Continuo a ver o casamento como uma decisão que dois indivíduos – homem e mulher – tomam no sentido de unirem as suas vidas para sempre, já que o verdadeiro amor não marca prazos.

Continuo a pensar que cada um – mesmo um príncipe herdeiro – é livre de casar ou de ficar solteiro e de viver como solteiro. Casar ou não casar é uma opção pessoal.

Continuo também a pensar que quem decide casar é livre de escolher a pessoa com quem vai unir a sua vida, desde que esta pretenda casar e se encontre em condições de o poder fazer.

Continuo a ver o casamento como algo aberto à vida e à propagação da espécie, o que nem sempre é tido em conta numa sociedade em que a quebra da taxa de natalidade atingiu níveis preocupantes. O casamento tem um sentido unitivo e procriativo.

Discordo do casamento convertido em espectáculo ou feira de vaidades. Casar não é encenar uma peça de teatro. Trata-se de um passo importante na vida de cada um, que deve ser dado com o máximo de consciência e de sentido de responsabilidade, e não de algo que se faz para que os outros vejam. Impressiona-me, por exemplo, o comportamento de noivos que, tendo optado pelo casamento canónico (casamento pela Igreja), passam a celebração religiosa inteiramente distraídos, a conversarem um com o outro ou a olharem para todos os lados e a rirem e a gesticularem para este e para aquele.

Também me impressiona o comportamento de convidados que ou não entram na igreja ou passam toda a celebração sem dizer palavra, como se a participação na Eucaristia não fosse com eles. Às vezes distribuem-se livrinhos com todo o cerimonial do casamento e com todas as respostas da Missa Mais me parecem supérfluos artigos de decoração, já que pouquíssimos os utilizam.

Acho muito bem que o casamento seja um dia de festa, como de festa devem ser outras datas marcantes na vida das pessoas. Acho muito bem que no dia do seu casamento os noivos gostem de ver a seu lado familiares e amigos, para com eles partilharem a alegria que vivem. Mas que se evitem os exageros, precisamente porque… são exageros. E estes tanto podem estar em certas indumentárias como em gastos supérfluos que se fazem. O que é demais é erro.

Escrevo tudo isto levado pelo enorme apreço em que tenho o casamento, a que S. Paulo se referiu como a um grande sinal. Considero-o, como outros, um caminho de santidade, e como tal deve ser vivido. Deus quis fazer dele um sinal do Seu amor para com a Humanidade. E isto mesmo peço a todos os casais: que, pela forma como se dedicam um ao outro e aos filhos, possamos «ver» como Deus nos ama. Mas casamento é casamento e espectáculo é espectáculo.




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