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Prenúncio de uma queda?

Mais do que a remodelação ministerial que tarda, o que parece prenunciar-se é uma “remodelação”do próprio PM e do Governo nas próximas eleições legislativas de 2006

N/D
27 Mai 2004

A máscara caiu. Mais cedo do que se esperava, o Primeiro Ministro (PM), o Governo e a “nova geração” do PSD que aquele personifica, perderam o proclamado ímpeto reformador e o sentido de Estado exigíveis a quem prometeu tirar o país da “tanga” económica, financeira e social a que ficou reduzida a “roupa” da maioria dos seus concidadãos. E, como se viu no congresso do passado fim-de-semana, até a própria visão estratégica constante da moção ali aprovada quase por unanimidade é reveladora do descrédito e fraqueza que, internamente, começam a minar as próprias hostes social-democratas.

Sabia-se que, com excepção do Dr. Bagão Félix – indiscutivelmente o melhor de todos – e de um ou outro dos Ministros, o nível geral de preparação dos membros do Executivo era baixo ou medíocre, já que os melhores quadros do PSD, se mostraram indisponíveis para colaborar com o PM. Por isso, a grande incógnita residia em saber até quando conseguiria o Dr. Durão Barroso aguentar e suprir as debilidades do seu Governo, cuja remodelação se antevia como inevitável antes do fim da legislatura.

Depois das imprevistas demissões de Isaltino Morais e de Martins da Cruz, pelos motivos que são conhecidos, e perante o agudizar dos problemas que se abatem sobre ministérios fundamentais como os da Justiça, Finanças, Administração Interna e Economia, aguardava-se uma remodelação profunda que fosse capaz de apagar a imagem de esgotamento e de desmotivação política deste Governo, imprimindo-lhe uma nova vida e credibilizando-o, pelo menos ante aqueles que votaram nos partidos da coligação que o suporta.

Infelizmente, não foi isso que sucedeu. Demitindo apenas um Ministro de segunda linha, para mais na sequência da aprovação na véspera, em Conselho de Ministros, da mais importante decisão tomada pelo respectivo Ministério sobre a empresa “Águas de Portugal”, ficou a ideia de que o PM cedeu à tentação de serenar os ânimos do congresso do seu partido relativamente à acção governamental e dos lobies e grupos de interesses que se cruzam no interior daquela empresa. O que, convenhamos, é um péssimo sinal.

Mas, para além disso, ao invés de considerar decisivas as legislativas de 2006, o Dr. Durão Barroso defendeu, na sua moção, que as eleições autárquicas do próximo ano são as fundamentais para assegurar ao PSD a manutenção do poder central!…Ora esta posição tem o óbvio significado de que o PM não acredita já nas virtudes e resultados da sua governação e se vê, por isso, obrigado a pedir aos autarcas do seu partido – à custa de quem, em grande parte, o PS perdeu as anteriores legislativas – que de novo o carreguem às suas costas.

Por outro lado, fazendo afirmações insensatas e levianas como as de que «não há completa liberdade de expressão nos Açores», para mais quando o seu partido é justamente acusado na Madeira de padecer de um público e notório “défice democrático”, ou lançando sobre o PCP a responsabilidade pela eventual falta de segurança que a possível greve dos SEF possa ocasionar nos dois próximos grandes acontecimentos nacionais (Euro 2004 e Rock in Rio), o Dr. Durão Barroso agiu de uma forma que, se não se tolera a um chefe de um Governo Regional, é absolutamente inadmissível a um Primeiro Ministro.

Por tudo isso e pelo muito que se tem visto ultimamente, mais do que a remodelação ministerial que tarda, o que parece prenunciar-se é uma “remodelação” do próprio PM e do Governo nas próximas eleições legislativas de 2006. A ver vamos.




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