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Uma lição oportuna e necessária

Para enfrentar o problema torna-se indispensável uma acção pastoral muito objectiva, muito segura,muito apostólica

N/D
26 Mai 2004

Assistimos nesta hora que estamos a viver no plano religioso a uma queda da prática religiosa com especial presença na Europa.

O problema torna-se grave se o contemplarmos na realidade dos factos: há nações que ouviram a voz dos cristãos, até na política, e a respeitaram e hoje rejeitam-na ou oficialmente ou no arranjo da actividade política.

Por um lado, a descristianização tem-se acentuado porque, em certas zonas europeias, se toma a religião como um acto festivo para celebrar o casamento, mas não para o viver.

Por outro lado, o avanço das ideias modernas, até anti-religiosas, tem provocado, da parte das pessoas, mormente da juventude, o abandono da prática religiosa.

Acontece que a vida moderna de bem-estar e de exibição social só aproveita os actos religiosos para se associar aos acontecimentos festivos. Reconhecem que tem um reflexo social importante, mas não lhes interessa a força que têm na formação individual e na melhoria social.

Os órgãos de informação referem-se a problemas religiosos, sem os verem na sua autêntica expressão e confundem-nos, por vezes, com os acontecimentos públicos de cariz informativo, por vezes, com visão oportunista.

Quero com isto dizer que certas pessoas fazem do cristianismo uma realidade «muito individualista». Esta expressão é do Bispo de Bragança-Miranda e transcrevemo-la para uma informação que é muito objectiva e uma referência também objectiva à realidade hodierna.

O entrevistador fez-lhe esta pergunta: «As cerimónias religiosas da Páscoa já não têm o “peso” de outros tempos entre os cristãos portugueses. Porque será?» A resposta foi esta: «No mundo ocidental nota-se isso.

A dimensão religiosa deixou marcas culturais muito fortes. O problema da Igreja é procurar que o que é cultural, de inspiração religiosa, retome a sua inspiração inicial, religiosa e predominante. Por outro lado, há um problema grande que não se punha há 50 anos, a grande mobilidade da população. Há 50 anos viajava-se com muito mais dificuldade, a população era muito mais estável.

É um problema que se põe à Pastoral da Igreja. Em relação à Páscoa, ela está de facto integrada em programas turísticos e programas de descanso. É função da Igreja e dos cristãos revalorizar a Páscoa como celebração religiosa. […] Nós, por tradição, temos sido mais sensíveis à dimensão cristã do ponto de vista pessoal e individual. As referências em relação à moral social e à ética social são mais recentes. Temos um cristianismo que, de facto, é com frequência muito individualista».

Esta é a análise de um bispo atento à evolução dos acontecimentos.

Para enfrentar o problema torna-se indispensável uma acção pastoral muito objectiva, muito segura, muito apostólica.

Os jovens presentemente vivem, infelizmente, ausentes da família, e esta, a família, vive a actividade material para o futuro dos filhos e não o trabalho fundamental do convívio com os filhos e do acompanhamento da idade que embeleza a juventude.

A juventude cresce sem a presença dos valores morais, sem a informação objectiva da vida presente e sem a previsão dos perigos que os acompanham ao longo da sua vida, na preparação para o casamento.

Todos andamos surpreendidos com a frequência dos casamentos que se desfazem, sem expressarem o respeito pelo mesmo e pelo sacramento que contraíram.

E a “fuga” para a liberdade que ajuda os caprichos e as tendências de bem-estar que se sintetizam na satisfação plena da sua vontade pessoal, sem respeito devido ao contrato conjugal e a aceitação do sacramento.

Isto expressa o ambiente em que se vive actualmente:

– o desrespeito ao compromisso assumido;

– o exemplo dos pais, descurando a formação responsável dos filhos;

– e a primazia que se concede ao casamento livre e independente, quando os que nele participam descuram a moral e a responsabilidade.

A isto se alia, por vezes, a instituição que rege a sociedade, como é o Parlamento, e favorece, por vezes, esse desrespeito do casamento indissolúvel.

A crise moral que o mundo atravessa tem, infelizmente, nesta incultura e na ausência do respeito pela moral, as causas dos acontecimentos.




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