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787. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga

Já não é novidade para ninguém que a cidade tem precisão de sanitários públicos. Vai daí, frequentemente, se vê um ou outro cidadão aflito a aliviar-se por detrás de uma árvore, dum arbusto ou no desvão duma esquina.

N/D
26 Mai 2004

E, se a coisa é na zona histórica uma triste realidade, nas novas urbanizações mais triste realidade é! Aí, tal equipamento deixou de contar no mapa sanitário da cidade! Como quem diz: ou deu de frosques ou está-se a vestir!
E, embora se diga que somos a cidade mais jovem da Europa, a terceira idade cresce dia-a-dia. E, se para aquela a falta de tal equipamento é banal, nesta, com os apertos próprios da idade, torna-se uma real necessidade!

Ora, em tempos, foram instalados nalguns locais (postos de vendas de títulos de transporte e paragens dos TUB) uns caixotes (que nem sei se já funcionam) demasiado futuristas e sofisticados para os fins tão primitivos a que se destinam!

E, como tais WC’s estão instalados em locais onde há grandes amontoados de gente, já pensou, senhor Presidente, no desconforto que sentiria qualquer aldeão das terças-feiras, habituado a aliviar-se em ampla liberdade por becos e hortas, ao ver-se dentro do caixote? Ou que angústia não será a dos putativos utilizadores que sofram de claustrofobia?

E que dizer, quiçá, dos incómodos e retracções que sofrerão aqueles que, após uma opípara feijoada, tenham que, por força dos apertos viscerais e da flatulência, descarregar em tão solitários vasos e com tanta gente à volta, os gases aprisionados! Ou, ainda, da flagelação de quem, com as calças na mão, se faz ao alívio e não tem moeda ou o cartão de banda magnética se recusa a abrir a porta salvadora?

Ora, senhor Presidente, nestas coisas mais simples e banais da natureza humana, como seja a função orgânica primordial da excreção, não é a tecnologia e a modernidade que melhor podem dar o conforto e a felicidade! Demais, tal função, mormente com a idade, traz tais constrangimentos e singularidades que não é, seguramente, em tais caixotes que encontra a devida funcionalidade!

Por isso, senhor Presidente, tal como os jardins, as praças, as zonas verdes, os parques infantis, os fontanários, as ciclovias… os equipamentos sanitários são, igualmente, necessários à vida na nossa cidade, que se quer capital (nacional) primeiro e europeia (depois) da cultura! E com a imprescindível operacionalidade e qualidade! E até para que não voltemos ao tempo das cavernas!

Doutro modo…

É lícito perguntar:

– É bom viver em Braga?

E lógico responder:

– Só p’ralguns! Só p’ralguns!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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