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Duas facturas endossadas à Europa

Durante a vigência dos imperialismos americano e soviético, poucas pessoas falavam em pacifismo.Invocava-se a célebre frase romana: – «si vis pacem, para bellum» que, traduzida em versão corrente, afirma «se queres a paz, prepara a guerra» e todas as nações valorizaram ao máximo os seus exércitos

N/D
22 Mai 2004

Com o aval deste conhecido axioma, quer os Estados Unidos, quer a Rússia, gozaram de total liberdade para dominar territorialmente diversos povos do mundo.

Após a queda do muro de Berlim, a Rússia perdeu a hegemonia da região e o império soviético desmoronou-se. Os americanos envolveram-se nas guerras do Vietnam, da Coreia, do Afeganistão e do Iraque, com as sequelas conhecidas.

Surge, então, por toda a Europa, um movimento que, entoando loas ao pacifismo, combate todos as tentativas bélicas do globo, sobretudo, as dos Estados Unidos da América.

Agora, quando a guerra do Iraque entra nos estertores da morte e o mundo se apresenta dividido e abúlico, toda a gente se interroga sobre o que vai suceder no nosso espaço geográfico.

A meu ver, a Europa dividida e enfraquecida fica com duas facturas a pagar.

A primeira diz respeito ao mundo árabe e poder-se-á chamar terrorismo, a segunda tem a ver com o relacionamento das nações europeias com os Estados Unidos e chamar-se-á divisionismo.

(A América tem uma divide a cobrar as nações da Europa que sempre apoiou e defendeu e que, na altura da guerra no Iraque, bem ou mal, a abandonaram.)

A primeira factura, atendendo aos ideais da «cruzada» islâmica, vai ser endossada a civilização ocidental, ao poder democrático e, apesar de todos os esforços do Vaticano, ao catolicismo; a segunda vai implicar mais divisionismo e o consequente enfraquecimento da Europa, no contexto mundial das nações.

Isto é, se a primeira vai ser difícil e penosa, a segunda não se apresenta nada fácil.

No futuro, outros impérios surgirão e outros usos e costumes nos esperam. O duelo, entre o islamismo e outras religiões, far-se-á sentir e será prematuro adivinhar os efeitos.

As novas cruzadas, mais populares e menos marciais, inverterão a marcha e mudarão de sentido.

Perante isto, às nações ocidentais apenas duas opções se oferecem: – ou os governos da civilização ocidental se aliam entre si e com os Estados Unidos ou, então, marcharão indefesos ao encontro dum destino incerto.

Mas a luta, porque envolve valores comuns, terá de ser colectiva Uma nação, por mais poderosa que seja, não aguentará o embate.

Aliás, do outro lado, não estará apenas uma nação, mas, sim, todo o mundo islâmico, com a força e o fanatismo dos seus ideais.

Como o alinhamento das nações ocidentais, num denominador comum, não será fácil, o mundo árabe encontrará aí um poderoso aliado.

A luta será entre a civilização cristã, moderna e actualizada, e o fundamentalismo árabe, conservador e tradicional.

Outras culturas e civilizações, pare já, viverão no seu espaço.




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