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Carta dos direitos da família

Celebra-se amanhã o 38.º Dia Mundial das Comunicações Sociais. O tema escolhido pelo Santo Padre João Paulo II para este dia, foi: Os mass media na família: um risco e uma riqueza. Na sua mensagem podemos ler: “O crescimento extraordinário dos meios de comunicação e a sua aumentada disponibilidade trouxeram oportunidades excepcionais para o enriquecimento da vida não apenas dos indivíduos, mas também das famílias”. Mas o tema põe-nos dois problemas: “o uso que as famílias fazem dos meios de comunicação e, em contrapartida, do modo como os mass media tratam as famílias e as solicitudes familiares”.

N/D
22 Mai 2004

Dos meios de comunicação podemos destacar a televisão que deve ser um dos que mais influências têm trazido à família, se bem que a Internet esteja a ganhar-lhe terreno. De facto quando a televisão apareceu muitos pensaram que ia ser uma ajuda para a agregação familiar aos serões. Cedo porém veio a desilusão, porque os gostos das diferentes gerações são muito diferentes. A mãe quer os programas de culinária ou as telenovelas; o pai quer os programas desportivos, com preferência para o desporto rei – o futebol; os filhos crianças querem bonecos e os mais velhos a música de abanar o capacete.
Em muitos lares, com posses resolveu-se o problema comprando vários aparelhos: a mãe vê a telenovela na cozinha enquanto prepara as refeições; o pai fica na sala estendido no sofá, em pantufas com os pés em cima da mesa de centro; os pequenos vão cada um para o seu quarto ver o que gostam (e muitas vezes o que não devem). Assim, o que parecia um factor de agregação revelou-se o oposto.

Uma senhora contou-me que o marido chega a casa, liga o aparelho, põe os auscultadores para não incomodar os outros e a mulher se precisa de lhe dizer algo, usa «dentro da mesma casa» (!!!) o telemóvel. O marido sente a vibração do aparelho, atende e fala com a mulher de um andar para o outro – no mínimo bizarro.

Os mass media “têm oportunidades virtualmente ilimitadas nos campos da informação, da educação, da expansão cultural e até mesmo do crescimento espiritual – oportunidades estas que excedem em grande medida as que eram disponíveis para a maioria das famílias no passado recente”.

Para que essas oportunidades tragam vantagem é necessário que não apresentem visões deturpadas da vida, da família, da religião e da moral. Devem ter grande respeito pela verdade e pela dignidade da pessoa humana.

Infelizmente isso não acontece na maioria dos casos e só temos uma solução – usar o botão de desligar. Se o programa tem reparos e está a ser visto pelos filhos na presença dos pais, até po-
de servir esse mal para debater ideias com os filhos e dar-lhes critérios. O que acontece, como já fiz notar, é que a televisão veio acentuar o individualismo em muitas famílias – cada um tem o seu aparelho e vê o que quer e quando quer, sem qualquer controlo dos pais (controlo aqui não significa atentado à liberdade dos filhos, mas exercício de uma autoridade educativa por parte dos pais).

“Os pais, como os educadores primários e mais importantes dos filhos, são inclusivamente os primeiros a dar-lhes um ensinamento acerca dos meios de comunicação. Eles são chamados a formar os seus filhos no «uso moderado, crítico, atento e prudente dos mass média» em casa (Familiaris consortio,76). Quando os pais o fazem de um modo consistente e positivo, a vida familiar fica enormemente enriquecida (…)”.

E diz o Santo Padre para terminar a sua mensagem: “Que as famílias sejam capazes de encontrar nos mass media uma fonte de ajuda, de encorajamento e de inspiração, enquanto lutam para viver como comunidade de vida e de amor, para formar os jovens nos valores morais sólidos e para fazer progredir uma cultura de solidariedade, liberdade e paz”.




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