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Uma “visitação” a Abril (2)

Quanto à Liberdade, ela encontra hoje na vigilância electrónica um inimigo, uma “nova Pide”

N/D
20 Mai 2004

4.Soberania
Como se não bastasse a terrível perda da descolonização, o Portugal de Abril entregou sectores importantes da sua soberania à União Europeia, começando pelo tratado Maastrichit (1992), no duunvirato Mário Soares – Cavaco Silva. Com certeza que nisto também marcará pontos o anterior Regime: tão nacionalista e tão cioso da sua independência foi, que à vez, namorou Hitler e Roosevelt.

5. Ambiente e florestas

O actual Regime perde também largamente para o anterior no que respeita à Conservação da Natureza. Nos últimos 30 anos, sobretudo desde 1983, tem havido uma avassaladora campanha de eucaliptização do país, para benefício de monopólios estrangeiros e com a decorrente destruição da paisagem, da flora e da fauna portuguesas. Este desastre tem sido facilitado pela impunidade de milhares e milhares de crimes de fogo-posto, todos os anos. Recentemente é também a proliferação das retro-escavadoras que destroem a beleza natural das nossas montanhas e cerros, ao escavar as suas belíssimas fragas e penedos.

6. Economia e transportes

Se o actual surto económico ultrapassa o do anterior Regime, a verdade é que muito desse surto é decorrente da nociva abolição das taxas aduaneiras e da injecção artificial de capitais causada pela compra das nossas empresas por empresas estrangeiras. Desta compra advém a perda dos centros de decisão económicos e políticos. Por outro lado, a forte melhoria da nossa rede viária teve lugar à custa dos magnos subsídios (“fundos”) europeus e implicou a importação de mão-de-obra africana.

Outro facto negativo foi a aceitação da “globalização” e o consequente nivelamento dos salários com os salários do 3.º Mundo, para permitir a competitividade. E como se isso não bastasse, temos a invasão dos hipermercados estrangeiros e decadência da Agricultura e das Pescas. Ao ponto de apenas produzimos hoje, 20% do que comemos.

7. Imigração, natalidade e auto-confiança

Antes de 74, Portugal era um país em que a única minoria étnica na parte europeia (a Metrópole) eram os então pouco numerosos ciganos. Hoje, é um país com quase 10% de pessoas de ascendência não totalmente portuguesa. Se com isto se conjugar a perda do Império, a diminuição acentuada da natalidade e a falta de objectivos grandiosos no presente, o Regime actual é o causador involuntário de um sentimento de diminuição da auto-estima do nosso Povo (e perde outra vez para o Estado Novo…).

8. A educação

No sector educativo houve bastantes melhoras, a começar pelo grau médio de escolarização. Porém, perderam-se os cursos do ensino técnico-profissional oficial. E as pessoas estão decididamente mais incultas do que eram há 30 anos (apesar de haver tantos doutores…). Além disso, há mais indisciplina nas escolas.

9. Ordem, crime, moral, religião, estética e Liberdade

Neste vasto campo, há a registar a ineficácia do actual Regime para controlar vários tipos de associações criminosas (especialmente no que se refere à Droga e aos fogos florestais; e pelos vistos, à própria pedofilia). Tal faz suspeitar de poderosas conivências no aparelho de Estado e em associações tidas por impolutas, facto que seria impensável acontecer no Fascismo salazarista.

A moral e a estética têm-se dissolvido um pouco, sobretudo nas grandes cidades, onde aumenta a tolerância em relação a fenómenos como a homossexualidade, as uniões de facto, a pintura e a música decadentes, as “raves”, a obsessão pelos cães perigosos, as tatuagens e “piercings”, os cabelos rapados ou pintados de verde ou vermelho, etc., etc.. A religião Católica tem também perdido alguns adeptos para o Agnosticismo ou para as seitas, mas mantém influência.

Quanto à Liberdade, ela encontra hoje na vigilância electrónica um inimigo, uma “nova Pide”. E gostaria de dizer também, que se é certo que hoje há mais liberdade de expressão, também é verdade que muita gente a aproveita para dizer disparates, que passam impunes.

Antes de Abril também havia liberdade de pensamento e alguma liberdade de expressão. O que não havia, era liberdade de imprensa e liberdade de associação. E já é aceitável hoje filosofarmos um pouco, sobre se o sacrifício daquelas duas liberdades seria mais ou menos custoso para o nosso Povo que a perda do Império e a hipoteca da Soberania, consequência do restabelecimento daquelas.




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