Fotografia:
Declarações de João Jardim

É penoso verificar que os grandes em população como a França e a Alemanha preferem mandar no conjunto em vez de aceitar, nos pequenos, os mesmos direitos dos grandes

N/D
19 Mai 2004

Passou o 25 de Abril, data histórica na vida política nacional, e, mais uma vez, deu oportunidade a que os portugueses exprimissem a sua presença no acontecimento.
Através dos órgãos de informação pareceu-nos que não teve uma presença expressiva de alegria, e de participação, talvez porque os portugueses não se entusiasmam demasiado com essas realidades, quando são políticas e são os políticos que as expressam.

Aconteceu, porém, que o Governo da Ilha da Madeira, da presidência de João Jardim não festejou o 25 de Abril e disse por que razão não festejou;

Jardim disse que recusa celebrar a data com «aqueles que puseram em causa a democracia» , com os responsáveis por uma descolonização «desastrada e criminosa» e com os «hipócritas e incompetentes que fizeram este regime da III República à revelia do poder soberano dos portugueses e trouxeram o país ao impasse actual».

Jardim concretiza o seu pensamento ainda melhor com estas palavras: «Um aparelho de Estado que, emperrado nos mitos e utopias que traíram o verdadeiro espírito do 25 de Abril, finge “reformas” que não são reformas, e que a Constituição da III República impede que o sejam».

João Jardim tem sido um político que vê os problemas, os estuda e procura dar-lhes soluções, quando estão sob o seu âmbito. Não acontece isto no caso nacional.

Algumas vozes se têm levantado sobre a Constituição que nos rege. São poucos os que se insurgem contra o facto de a mesma não ser fruto do voto da Nação, mas dos deputados, os quais, muitas vezes, levam para o Parlamento a vontade política do seu partido e não as exigências de uma autêntica política nacional.

Criam-se realidades que pesam nas decisões e cuja força que as impele é a paixão partidária e não a verdadeira paixão nacional.

A paixão doentia de servir o partido e não a Nação, como se registou na Assembleia da República quando da discussão e votação da Constituição, está a verificar-se neste momento face ao Parlamento Europeu que vai discutir e votar a Constituição Europeia.

João Jardim, sem receio de ser vergastado pelos socialistas, não os poupa nesta hora em que o Parlamento Europeu vai retratar-se oficialmente para o mundo político e para a sua actividade no dito parlamento.

No semanário “O Diabo” de 27 de Abril passado escreveu João Jardim: “Graças, uma vez mais, aos arranjos do «pior Governo de Portugal desde D. Maria I» – o último governo socialista – nas doutas palavras do Professor Sousa Franco, agora cabeça de lista do Partido responsável por tal e, na dita lista, colega de vários ex-ministros autores do referido «pântano».

Porque a memória dos Portugueses às vezes parece ser curta, recordo que foi o Senhor Engenheiro António Guterres que, no momento de «dar o fora» ante as câmaras de televisão, assim referiu os resultados do seu governo, em parte agora transplantado para a lista socialista que se candidata ao parlamento Europeu.

Mas Portugal é assim…”

Trouxemos estes extractos que preenchem o nosso artigo para se verificar a realidade histórica em que vivemos e que a Constituição privilegia.

Todos podemos ver e registar como é difícil, em tal situação, que a Constituição privilegia agir com eficiência na vida política objectiva e séria da Nação.

E isto numa hora em que o Parlamento Europeu se irá bater pelos problemas talvez a sacrificar os pequenos países que o compõem.

É penoso verificar que os grandes em população como a França e a Alemanha preferem mandar no conjunto em vez de aceitar, nos pequenos, os mesmos direitos dos grandes.

Oxalá a Europa que tanto cresceu em número de países que constituem o Velho Continente, se refaça no seu valor político, e intelectual. Mas para que possíveis desequilíbrios não pesem demasiado nas decisões da mesma é necessário respeitar a democracia autêntica em seus direitos e deveres.

Entre nós, como se depreende das palavras de João Jardim, tal respeito não existiu e, para o conseguir, é necessário alterar a Constituição. Mas a “Esquerda” como o tem demonstrado, desde o 25 de Abril, não quer colaborar num trabalho. Prefere que se mantenha o negativo existente.

Isto leva os portugueses, sensatos, a pensar no futuro que os espera, com uma União Europeia a comandá-los e os cidadãos a aproveitá-la consoante as suas preferências.

Aguardamos os acontecimentos com os olhos postos nas palavras de João Jardim.




Notícias relacionadas


Scroll Up