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786. Senhor Ministro da Educação

1. Após a escandalosa lista provisória de ordenação do concurso de professores, obviamente, no mínimo, o Secretário de Estado da Administração Educativa tinha que ser demitido. Porque, uma vez que estão em causa a honorabilidade e transparência do seu ministério, outro caminho não havia a seguir. É que tamanho escândalo até parece cheirar a boicote, a sabotagem.

N/D
19 Mai 2004

Depois, uma coisa é certa: parece ter havido negligência por parte dos responsáveis do concurso, cuja cabeça é o Secretário de Estado, Abílio Morgado. Negligência e facilitismo. Como se um acto administrativo desta natureza não passasse de um mero jogo de futebol entre casados e solteiros ou a uma maratona de reformados!

Demais, é pública, senhor Ministro, a sua dissidência com o Secretário de Estado a ponto de não se falarem, dizem, há tempos. Como pode assim existir harmonia e colaboração responsável entre membros da mesma equipa governativa? Sem a indispensável fidelidade, seriedade e transparência entre os seus elementos, como pode um ministro governar com sucesso e tranquilidade?

Perante isto, o que pensam as administrações das escolas, os professores, os alunos e encarregados de educação? O que legítimo e natural é: nada de bom, nada de sério; pura e simplesmente que é o desrespeito e a balda total!

2. Ora, senhor Ministro, com o desemprego, a instabilidade, a desmotivação que atinge milhares de professores, todos os olhos e esperanças estavam postos neste concurso, até pela novidade que apresentava, e, consequentemente, pelo rigor, serenidade e transparência que foram prometidos e dos seus resultados se esperavam. Prometeu-se a todos os docentes que as coisas iam mudar para melhor, que uma nova ordem se ia instalar, mormente, após o escândalo do ex-ministro Martins da Cruz e de alguns desvios nas colocações do presente ano lectivo.

E o resultado, senhor Ministro, está à vista! Uma tremenda barracada e uma colossal desilusão – as piores de sempre -, mesmo para a sociedade civil que nas escolas deposita ainda alguma esperança de salvação do país!

Deixe-me que lhe diga, mas ninguém entende, porque ninguém quer ou não sabe explicar o que, realmente, aconteceu. Sabe-se, apenas, que foram gastos 600 mil euros (120 mil contos) no programa informático que é o suporte do concurso. Ou melhor, deitaram-se 600 mil euros (120 mil contos) pela porta fora, porque o programa informático foi um fiasco, uma cesta rota de asneiras e incongruências!

Tome nota, senhor Ministro, que o mais dramático e grave da situação é, agora, os professores não confiarem na próxima lista provisória de ordenação! Os professores não confiarem no concurso! Os professores não confiarem no seu ministro da educação! Mesmo com todos os pedidos de desculpas e promessas de rectidão!

Por isso, e para que a confiança pudesse retornar ao seio das escolas e se pudesse fazer um concurso sereno, isento e transparente, o mínimo que havia a fazer era o que, inicialmente, lhe apontei: a demissão do seu Secretário de Estado.

Doutro modo, não lhe preconizo grande futuro!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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