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Força Porto, força Selecção

É bom para este pequeno país, que alguns de nós obtenham sucesso fora de portas e que sejamos falados pela positiva

N/D
18 Mai 2004

Aproveitando a grandeza dos próximos acontecimentos desportivos que se irão realizar entre nós, nomeadamente a final da Liga dos Campeões e o Euro2004, era minha intenção pronunciar-me apenas sobre o fenómeno desportivo.
Contudo, a semana que terminou ficou, a meu ver, marcada pela grandeza de um acontecimento único, que foi a criação de uma Fundação dedicada à investigação científica, pelo desejo testamentário de António Champalimaud.

Além dos muitos milhões de contos que serão aplicados no nosso engrandecimento – pois parece-me que já todos começam a acreditar que a ignorância sai mais cara que a investigação e desenvolvimento – o dinheiro não se irá evaporar pois ficará a ser bem gerido e certamente perpetuar-se-á. Note-se que o Estado português só no caso da Ponte Vasco da Gama, deitou fora uma verba muito superior à deixada por António Champalimaud.

Naquele caso, com o argumento de que não tinha dinheiro para a sua construção, concessionou-a a privados, acabando por, para além de entregar a ponte 25 de Abril, pagar em indemnizações um valor que daria para construir a dita ponte. Mas como com o Estado nunca ninguém é responsabilizado, muitos se vão abotoando com o beneplácito de todos nós.

Com a nossa auto-estima de rastos, e sabendo que quase sempre ocupamos os piores lugares dos rankings, contudo, iremos estar presente, na final da prova de clubes mais importante a nível mundial, através do FC Porto, clube a que ninguém dava mais que dois por cento de probabilidade de conseguir tal proeza. Presença essa conseguida não por sorte, mas através do muito mérito e trabalho dos seus técnicos, jogadores e dirigentes, principalmente do seu treinador José Mourinho, a quem desejo sinceramente que venha a obter no estrangeiro o sucesso que obteve entre nós. É bom para este pequeno país, que alguns de nós obtenham sucesso fora de portas e que sejamos falados pela positiva.

No caso do futebol, que tão negativamente é visto entre nós, ainda há pouco mais de dois anos tínhamos a selecção portuguesa como a quarta classificada pela FIFA a nível mundial, classificação essa objectiva, calculada através dos resultados obtidos nos jogos. Pergunto-me em que mais é que nós, a nível mundial, nos apresentamos na quarta posição cimeira, ainda para mais nem sequer em bilhar, com todo o respeito para com essa modalidade, mas na modalidade desportiva mais popular em todo o mundo.

Só falhamos o mundial de França, graças à intervenção de um senhor chamado Batta, no jogo efectuado na Alemanha. Curiosamente o senhor Batta estará em Portugal durante o Euro2004 como convidado pela UEFA.

Temos jogadores portugueses nas melhores equipas mundiais, assim como treinadores a seguir os mesmos passos, e também médicos e massagistas reconhecidos mundialmente. A nível de selecções, estas são competitivas em todos os escalões de competição, e vencem competições frequentemente.

No entanto, temos e iremos continuar a ter, um campeonato nacional medíocre sobre o ponto de vista competitivo, e acima de tudo, dirigentes muito mal preparados. Nesse aspecto já voltamos às nossas típicas posições de fundo da tabela. Carecemos de muita evolução, e os poucos bons dirigentes que vão aparecendo, rapidamente se afastam, como aconteceu recentemente com José Eduardo Bettencourt.

Desejo ardentemente poder festejar este mês a vitória do clube português na final da Liga dos campeões, e em Junho, a vitória da selecção de todos nós que, acredito, iremos merecer.




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