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A canção que não passou…

Parabéns aos ucranianos que temos, pois até na música nos podem dar umas lições

N/D
18 Mai 2004

Nunca fui dos fãs do Festival da Eurovisão.
Gosto contudo de os ver e ouvir as melodias internacionais. Traduzem os gostos musicais, mostram uma certa sensibilidade e unem fronteiras, pondo povos em onda sonora comum, como podem até revelar simpatias ou antipatias, que se estabelecem através da música e ritmos, por vezes, a interpretar ou compensar as nacionais.

De facto, nos últimos tempos, Portugal nunca conseguiu nada. Falta de gosto musical? Ritmos estranhos ao gosto internacional? Dificuldades de compreensão da língua? Gostos bizarros de interpretação e sensibilidade alheia a estranhos gostos, mesmo nacionais?

Este ano acabámos por nem ser seleccionados, ou melhor, fomos eliminados… Porquê? Qualidade do produto? Interpretação deficiente em inglês? Talvez qualidade inacessível, por excessiva, ou má vontade dos júris? Enfim…

A verdade é que os países de Leste uniram-se todos e mostraram à velha Europa que estão vivos, activos e com gostos exóticos, dispostos a rivalizar com os tradicionais “ganhadores” – apesar de terem vivido na jaula -, que encostaram a um canto…

Como português na Europa, olhando até para Istambul, em que os turcos não perderam uma boa oportunidade para apresentarem as suas regiões mais turísticas e mostrarem uma proficiência de computadores eficientes na contagem final, pretenderam significar que estão atentos, desenvolvidos e capazes de rivalizar com as culturas ocidentais.

Por algumas horas, o mundo viveu unido através da canção, embora algumas de gosto bizarro, nem sempre nos meus parâmetros, mesmo quando as intérpretes se apresentaram em trejeitos de praias e de show, gozando no palco, e explorando os gostos do striptease mundial.

Após os escândalos de americanos (os zeladores da religião e moral pública), não esteve nada mal, fazendo comer do que alguns gostam, fornecendo o pasto de sensibilidades europeias, que esquecem religião na Constituição, para endeusar futebol nas novas igrejas ou “catedrais”, como a consumir produtos de exportação, ao gosto da maior parte.

Em muitos casos, desapareceu a melodia e harmonia, venderam-se as formas e o ritmos emprestados, e o analfabeto como eu, sentiu-se ultrapassado e fora de moda, como bota-de-elástico deformado pela educação noutros padrões… Teria sido por esse mo-tivo que fomos eliminados? Ou pela grande mensagem de magia e kamasutra, em linguagem hermética, que lhes transmitimos e não souberam compreender?!

Imagino a frustração dos seus autores e dos intérpretes, ao serem avaliados por “nefelibatas” dum país que tem um Nobel de alto coturno, como um canário a cantar nas ilhas Canárias, no Lanzarote, filho de uma democracia em que apela ao voto em branco… que, após cortes de cesariana, não recebeu a carta azul de Bruxelas, tem o fado, como reminiscência árabe, instituiu a música nas escolas depois do 25 de Abril, e com um sistema fonético dos mais ricos dos idiomas europeus!…

Realmente eu, um deserdado “emigrante” a viver na Europa, que tantas vezes tenho denunciado as festas da sardinha e do nosso carnaval político e cultural, com festas e festinhas em vozes maviosas em honra de Fátima (até turca no nome!…) esperava mais simpatia dos potenciais candidatos à União Europeia, mas não… irradiaram-nos e sofri como todos os meus compatriotas, ao não entenderem os gostos e alto nível do meu País!

Estarei a sonhar, a delirar, ou a esquecer o delírio da nossa lírica e dos harpejos de guitarra das nossas garraiadas académicas e bem pensantes da elite do meu país?!

Não. Coragem! Avante, camaradas! Nada de ilusões! Temos a UEFA e o futebol que encobre todas as nossas frustrações e misérias!…

Mãos à obra, e ganharemos o campeonato. Então se vai ver o que é mais importante: se a melodia das vozes, se a força das cabeças, ou o dinamite das pernas!… É tudo uma questão de preparação e de saber desenvolver tudo, no devido tempo…

Parabéns aos ucranianos que temos, pois até na música nos podem dar umas lições, e revelar os segredos para ganharmos futuros festivais… Tenho dito!




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