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Nótulas soltas da minha agenda

Estão aí as farras, as bebedeiras, as noitadas em vésperas de exames! Este país vive alienado e os “pagadores de impostos” continuam distraídos com a aplicação do que lhes é retirado para, em princípio, ser para o bem comum!

N/D
17 Mai 2004

1 O Senhor D. Eurico pôs ponto final nas suas crónicas-memória. É pena que tenha sido ponto final. Há tanta memória guardada de experiências pastorais e humanas, sobretudo em África, que ainda não ficaram registadas. A pequena História ajuda a construir e compreender a História.

2. Estamos em plena “Semana da Família”. De 15 a 22 é preciso celebrar a Família. Exigir e reivindicar. Defender os direitos da Família. Procurar viver os deveres.

3. O INE – Instituto Nacional de Estatística – divulgou dados relativos às famílias em Portugal. Preocupam-me: a dimensão média da Família estar (continuar) a diminuir. As famílias nucleares estão cada vez mais pequenas. Consequentemente, a riqueza da intergeracionalidade empobrece-se.

Aumenta o número de pessoas a viver sozinhas (não constituem uma família!), que são sobretudo mulheres idosas. O número de famílias com idosos é muito baixo (ronda os 15 por cento). O número de casais sem filhos continua a aumentar. As famílias monoparentais continuam a aumentar e são sobretudo constituídas por mãe e filho(s). Há cada vez mais divórcios e menos casamentos. A maternidade é cada vez mais tarde assumida. A população portuguesa está (continua) a envelhecer.

Terrivelmente sério. Urge, por isso, reflectir sobre esta realidade e procurar inverter que a catástrofe progrida.

4. «Não terá chegado o momento de concluir que a maior parte dos mitos da educação portuguesa falharam redondamente e são responsáveis pelo maior fiasco financeiro, colectivo e cultural das últimas quatro décadas?» Lamento não ter sido eu a escrever esta prosa. Subscrevo-a de todo o coração. Na realidade investimos imenso na educação e os resultados estão aí à vista. Abandono escolar precoce. Total (ou quase) falta de preparação para a vida activa dos que acabam a escolaridade obrigatória. Competição desenfreada para entrar nas universidades. Mas insucesso dramático neste nível com um número brutal de estudantes a não concluir o curso por que lutaram para entrar.

Contudo estão aí as farras, as bebedeiras, as noitadas em vésperas de exames! Este país vive alienado e os “pagadores de impostos” continuam distraídos com a aplicação do que lhes é retirado para, em princípio, ser para o bem comum! Estamos mesmo a ver que na educação temos feito um mau investimento: muito dinheiro, mal aplicado e maus resultados. Não é “politicamente correcto” escrever isto, pois não?

5. Numa das minhas últimas “Nótulas” referia a situação de um homem que dormia na rua, no vão de uma escada. Gostei do interesse e rapidez com que o Dr. Jorge Matos, vereador para os Assuntos Sociais da Câmara Municipal de Braga, se manifestou face à minha denúncia.

6. Termino estas nótulas com três reflexões que constam do meu livro “Família é…”:

– «Em Família, como noutras sociedades, discutir não é berrar e discordar. Discutir é trocar opiniões, modificando-as ou não… Da discussão nasce a luz!»;

– «Você queria uma Família de unanimidades. Lembre-se que isso não é natural. Respeite e faça respeitar as legítimas e naturais diferenças. Já imaginou construir um carro só com travões?…»;

– «Os Pais têm o direito e o dever de saber sempre dos filhos, sobretudo dos menores: onde estão; com quem estão; e o que estão a fazer. Só assim é possível criar e manter um diálogo construtivo».




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