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A UEFA e o Turismo…

Não pensemos que a UEFA nos vai trazer grande coisa, pois, normalmente, os adeptos ou apaniguados do futebol não são os melhores turistas…

N/D
14 Mai 2004

Proponho-me hoje falar de turismo…
Quem não gosta de sair, viajar, conhecer outras terras, culturas e povos?

Uma indústria das mais prósperas e mais delicadas nesta Europa de bem-estar, que, salvo a Florida e alguns países do Oriente, tem as melhores instâncias do mundo.

Portugal é também um destino turístico num Finisterra da Europa. É curioso que tem guias em quase todas as línguas, com as mesmas fotos e lugares comuns, mas nem sempre actualizados. Uns mais do que outros focalizados, há destinos clássicos como o Algarve, Madeira, Açores, o Douro, mas nem sempre o Minho aparece incluído com o valor que tem. Quando muito, olhado apenas no turismo religioso, ligado a Santiago de Compostela, todavia não tem ainda infra-estruturas turísticas que o possam tornar mais atraente.

Muitos não podem imaginar o que é o turismo para os ricos. Nos últimos tempos, este era feito essencialmente pelos alemães e ingleses, que se deram ao luxo de fazer exigências e ocuparem os melhores hotéis, com jardins e piscinas, show ao vivo, exigindo mesmo praias especiais para os mais doentes e enferrujados, como o nudismo, massagens, wellness, sauna, etc., além de procurarem verdadeiros oásis de silêncio e lazer nas zonas mais paradisíacas.

A verdade é que desenvolveu-se toda uma rede, que levou à aquisição de aviões para voos especiais, construíram-se hotéis e desenvolveram-se espectáculos, como se incrementou o estudo das línguas, especialmente o inglês.

Já pensamos nisto mesmo para as nossas praias, montanhas e estâncias termais?

Não pensemos que a UEFA nos vai trazer grande coisa, pois, normalmente, os adeptos ou apaniguados do futebol não são os melhores turistas… Mas podem servir de detonador e de motivação para o futuro, se bem organizado, e lhes fornecermos uma boa imagem, acolhedora e atraente. Mas isto deve começar por conhecer as suas línguas. Se uma pessoa que sabe quatro línguas vale por quatro pessoas (M.me Stäell), é importante também a simpatia, e sobretudo a imagem, qualidade, limpeza e asseio das condições oferecidas.

Sendo um país ainda bastante sujo, com poucas flores e zonas verdes, não chegam as fontinhas de doentes prostáticos, a criar um pouco de vida e frescura nas vilas ou cidades. Exige-se muito mais, como decoração e vegetação nos hotéis, que ainda não temos, mesmo no Algarve, a precisar de mais e melhor. Bem sei que isto não supre tudo, se bem que nos possamos orgulhar do melhor turismo rural da Europa. Não sei, porém, se muito bem servido e organizado.

De facto, quem visita as Caraíbas, Maiorca, as Canárias, que superaram hoje a Costa Azul e outras da Andaluzia, ou mesmo do Oriente, fica a pensar no muito que ainda teremos de desenvolver para nos tornarmos um verdadeiro destino turístico de prazer. Para isso só ligados a grandes redes internacionais como RIU, a qual conseguiu ter 18 entre os 100 melhores hotéis do mundo, com alguns já no Algarve, Cabo Verde, etc. Conseguiu em 2002 duplicar os seus empregados, contando mais de 18.500 actualmente.

Mas como se consegue impor? Com a qualidade óptima dos seus serviços, com infra-estruturas nos hotéis em quartos individuais, familiares e apart-hotel, sempre com piscinas, jardins e flores, criando o ambiente próprio da habitação individual, servida com todo o requinte de self-service variado e opíparo, restaurantes-grill, live music, como pondo transportes a acolher os turistas na ida e volta dos aeroportos, e serviços gratuitos de redes rodoviárias para as praias.

Já pensaram no que isto representa de emprego e mesmo de qualidade, tudo servido através de agências turísticas internacionais, que nas estações de baixa fazem uma promoção turística a metade do preço, pelo seu efeito multiplicador? Quando aprendemos a promover turismo? Os hotéis para Portugal no centro e norte da Europa são ainda dos mais caros…

Há dias, num grande show internacional num desses hotéis, com música ao vivo, um meu amigo confidenciava-me o seguinte: «Não posso esquecer as Canárias, no Riu Flamingo! Nessa rede de hotéis encontrei a melhor comida e o melhor ambiente de qualidade até hoje!…» Mas não foi só.
Num grande show internacional, aparece uma loira, de cabelos e tez alemã, a cantar maravilhosamente, em inglês, alemão, francês, espanhol e até português!…

Tratava-se de uma rapariga da República Checa. Quando lhe perguntou se era oriunda das Canárias, disse. «Sou checa e venho cantar nos Night-Club e shows internacionais nos melhores hotéis da Europa… É que fomos preparados, nestes últimos anos, em línguas europeias, para encontrarmos emprego!»

E os alemães estavam babados e confundidos, ao ouvi-la num alemão e inglês correcto, para além das suas formas e jeitos de dança, que conseguia galvanizar mesmo os mais velhos, com melodias dos anos sessenta!…

E nós, conseguiremos atrair turistas com fados e folclore, ou limitar-nos-emos a exportar ou receber escravos da Europa?

Talvez nem tenhamos consciência dos desafios que nos esperam, se não mudarmos de mentalidade!…




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