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Crítica objectiva e oportuna (II)

A História assinala a obra de Salazar; a política, infelizmente, não cultiva a história mas o seu oportunismo

N/D
12 Mai 2004

Continuamos a ler e a comentar as palavras que o tenente-coronel Brandão Ferreira escreveu no semanário “O Diabo” de 20 de Abril deste ano. E fazemo-lo por vários motivos:

– porque se cometeu grave crime de natureza social: a informação sobre um homem que dirigiu durante dezenas de anos a política nacional;

– porque a sua actividade política é elemento essencial da História Nacional;

– porque a Revolução de Abril optou pela imposição do silêncio em desfavor da informação;

– e porque, embora o tempo coadjuve a História, o mesmo não pode sobrepor-se às pessoas.

São oportunas as palavras do tenente-coronel Brandão Ferreira no artigo que já citamos. Diz:

«Salazar era um homem de Fé religiosa; Cunhal tinha fé numa ideologia anti-religiosa; Salazar tirou o país da lama e reconstruiu o Estado; Cunhal quis subverter o estado e a nação; Salazar era um patriota sem mácula e um nacionalista ferrenho; Cunhal queria pôr Portugal como satélite da União Soviética; Salazar defendeu todos os pedaços da terra portuguesa sem tergiversar e sem olhar a sacrifícios, Cunhal quis alienar todo o ultramar português às teses do marxismo-leninismo soviético; Salazar construiu de tudo um pouco, Cunhal o seu partido e organizações terroristas (ou seriam de libertação?), subvertiam, provocavam greves, punham bombas e, mais tarde, tentaram até, aleivosamente, minar o esforço de guerra nacional; Salazar intentou implementar uma doutrina e um sistema político que diminuísse pela via da discussão e da negociação as eventuais fracturas entre as forças do capital e do trabalho; e promovesse a harmonia social através da legislação que salvaguardasse os interesses variados das diferentes corporações e onde portanto tanto a greve como o “lockout” fizessem sentido; Cunhal fomentou a luta de classes, o ódio entre patrões e operários, a apropriação de todos os meios de produção na posse do Estado, etc.».

O coronel Brandão Ferreira enumera, ainda, mais actos praticados por Cunhal ainda ausente do País, e depois, quando vingou o 25 de Abril.

Vamos transcrever essas frases até porque, embora a Revolução de Abril tivesse evolução, ainda se tem registado, no noticiário informativo, a presença comunista nos serviços oficiais.

Diz o tenente-coronel Brandão Ferreira: «No período de menos de um ano (74/75), em que houve na sociedade uma influência indiscutível das forças marxistas, prenderam-se e expatriaram-se mais pessoas do que nos 40 anos do “Estado Novo”. E choveram ameaças de morte e instigação ao ódio; Salazar foi um português de Lei que defendeu contra ventos e marés, intransigentemente, os interesses de Portugal contra amigos, adversários, inimigos e, às vezes até, de si mesmo; Cunhal defendeu toda a sua vida, objectivamente, os interesses de uma potência estrangeira – a URSS -, e continua a defendê-los mesmo depois desta ter desaparecido».

Os factos históricos são estes que registamos e escritos por um oficial do Exército português.
Na política há, como nas demais actividades, divergências, as quais contêm, no entanto, uma realidade: os factos.

Quando estes não agradam aos políticos deturpam-nos e esforçam-se por os silenciar.

Escreve Brandão Ferreira: «Ora sendo Cunhal um “herói” de Abril e Salazar excomungado dos livros escolares e de comentário político é corolário natural que quando passa a data do seu aniversário a única coisa que se oiça seja o silêncio. Há uns anos atrás ainda se ouviam umas imprecações».

A História assinala a obra de Salazar; a política, infelizmente, não cultiva a história mas o seu oportunismo.

O tenente-coronel Brandão Ferreira remata o seu artigo com estes dois parágrafos: «Por isso deve colocar-se esta pergunta ao país actual, que todos ajudámos a criar: quem é que foi afinal coerente nos erros e quem foi coerente nos acertos, Salazar ou Cunhal? O País, estamos certos, não vai gostar de responder, embora o deva fazer. Está de consciência pesada».

Infelizmente, os órgãos de informação desprezam este dever e os políticos, mesmo quando se dizem independentes dependem das suas ideologias e do seu oportunismo. Assim acontece com demasiada frequência.




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