Fotografia:
785. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga:

1 A barbearia do número 21 da rua do Souto está sob a ameaça do camartelo da argamassa! Obviamente, não trazendo, assim, nenhuma mais valia cultural à nossa cidade!

N/D
12 Mai 2004

Até porque, tal como os cafés, bares, pastelarias e tasquinhas, as barbearias ainda continuam a ser locais de convívio, tertúlia e gregarismo e por onde passa muita da vida social da cidade!

Deixe-me que lhe diga, mas é um crime cultural que esta jóia das artes capilares, e com um espólio já centenário, tenha tão inesperado como insólito fim! E, claramente, contra a vontade de quem nela trabalha, dos clientes que a frequentam e dos bracarenses que sentem a sua terra e vêem na destruição do estabelecimento mais um atropelo à cultura e cidadania!

E, embora os tempos sejam mais de cabeludos, patilhudos, bigodaças e perudos, ainda há, mesmo assim, muito quem preze um bigode, uma pêra, uma patilha, uma trunfa ou uma barbicha todo–o-terreno à maneira! Já para não falarmos dos que curtem bué uma boa carecada à Ronaldo ou uma máquina zero à magala doutros tempos!

Daí que o estado de tanga, défice ou crise não sejam para aqui chamados e muito menos ameacem a solvência económica da barbearia. Isto é, nunca estiveram em causa torniquetes financeiros à Ministra das Finanças, nem badaladas tretas de retoma à primeiro-ministro! A barbearia está bem de saúde e recomenda-se!

2. Por isso, senhor Presidente, como responsável número um da cidade e, concomitantemente, das suas coisas do passado e da cultura, tem de impedir que a barbearia seja tão inglória e injustamente destruída! Se nunca a visitou, passe por lá, faça-se acompanhar dos respectivos técnicos, veja o espólio que eu já vi e, depois, diga-me se há ou não razão em terçar armas pela sua conservação!

Olhe que não há turista que por ali deambule que não entre e goze a preciosidade e raridade artística e cultural que ali está!

Demais, seguramente, os homens passam e as cidades ficam! E com elas e nelas, seja a escopro de fogo, seja a escopro de água, lavradas ficam as marcas das grandezas ou misérias que fazem as épocas e os homens! Memórias de cultura que deles falam!

Ora, Braga como cidade já bimilenar, apesar dos atentados vários de que tem sido vítima, ainda é repositório riquíssimo de jóias arquitectónicas e culturais que a fazem admirada, visitada e grande! E nos enche de orgulho e jactância!

E não queremos que, por ignorância, incúria ou interesses primários se atente, agrida e até destrua tais pedaços de lembranças, restos de alma que a todos tocam, a todos dizem respeito!

Doutro modo, uma cidade que não preserva a sua história, não acarinha o seu passado, é uma cidade sem futuro, sem identidade, sem alma. E isso, absolutamente, nenhum de nós quer que aconteça a esta Bracara Augusta! O que passa, logicamente, e já, pela intransigente defesa da barbearia ameaçada!

Depois, quem sabe, pode ser este o vigésimo sexto passo na caminhada da sonhada candidatura de Braga a capital nacional (primeiro) e europeia (depois) da cultura! Tijolo a tijolo se levanta a construção!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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