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Trinta anos sobre o 25 de Abril: números bons e maus

Onde o panorama se mostra negro e doentio é no crescimento brutal do divórcio – que a legislação actual facilita e promove

N/D
11 Mai 2004

Quando contemplamos os números do quadro que acima se apresenta – que o autor destas linhas encontrou no jornal “O Leme”, de Vila Nova de Santo André (Santiago do Cacém), certamente que não podemos deixar de nos congratular com as cifras positivas que o nosso país, trinta anos após o 25 de Abril, apresenta de forma nítida e incontroversa.
Há melhorias substanciais, que manifestam um avanço concludente nas condições de vida, nos recursos culturais, na amortização do analfabetismo, no turismo e até, perante a surpresa de muita gente, no número de mortos nas nossas estradas, que melhorou imenso em relação proporcional com o crescimento notável do número de viaturas actualmente em circulação – o que não quer dizer que não continuemos com índices profundamente aberrantes em matéria de sinistralidade rodoviária.

Quanto ao aumento da população, a leitura pode suscitar dúvidas pertinentes. O que seria da demografia portuguesa nos nossos dias se, após o 25 de Abril, não tivesse o país encaixado com cerca de 800.000 “retornados” e não houvesse, neste momento, perto de 500.000 emigrantes a labutar nas nossas terras?

Infelizmente, nem tudo são boas notícias. Era de esperar que o total de acidentes de trabalho, com a existência de legislação laboral mais rigorosa, fornecesse uma diminuição muito mais robusta. E também que, com as possibilidades de uma economia mais aberta e concorrencial, o desemprego não conhecesse um acréscimo tão significativo.

Mas onde o panorama se mostra negro e doentio é no crescimento brutal do divórcio – que a legislação actual facilita e promove. E também no que toca ao número de reclusos. Um e outro aspecto são um espelho de uma sociedade doente, que se mostra incapaz de descobrir soluções para grandes problemas sociais e morais que a vida lança ao cidadão.

São como que reptos que exigem soluções adequadas, e não atitudes facilitadoras de comportamentos geradores da desagregação das famílias e da perda da liberdade de quem a não sabe aproveitar como um bem proporcionado pelo sistema democrático.

Mesmo considerando que os primeiros números, referentes a 1974, não abrangem os presos políticos do Estado Novo, nem essa achega insignificante, sob o ponto de vista quantitativo, seria suficiente para amenizar uma diferença tão flagrante.




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