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A Europa, o futebol e as corridas…

Já lhes foi mostrada uma bandeira azul, que serve para indicar que o seu ritmo é demasiado lentoe que tem de permitir a ultrapassagem dos mais rápidos

N/D
11 Mai 2004

No futebol um jogador que se dirija ao árbitro para pedir um amarelo para o adversário, normalmente leva ele próprio com o cartão e é avisado que quem manda no jogo é o árbitro e só o árbitro.

Aquilo que o Partido Socialista está a pedir nesta época de pré-campanha para as eleições ao Parlamento Europeu, é precisamente um cartão amarelo para o adversário, ainda por cima sem perceber que quem fez a falta foi ele próprio. É perfeitamente aceitável que, no mínimo, o árbitro deste jogo lhe mostre a cartolina amarela.

Aliás, desde logo o PS se colocou na posição de expulso do jogo porque ainda não percebeu que estas eleições são europeias, o que pressupõe um debate profundo sobre a Europa e a política europeia. Esta estratégia desajustada é penalizadora do ponto de vista do debate esclarecedor e rico, que se esperava de uma classe política com cultura minimamente europeísta e com os horizontes integrados na realidade política internacional do país e que influenciam a sua projecção no mundo.

Não se poderia explicar esta estratégia desesperada, não tivesse ela surgido de uma mente politicamente tresloucada, que teima em seguir o caminho errado, que leva uns carneirinhos atrás, prestando sucessivamente péssimos serviços ao Portugal democrático, de quem tanto reclamam a paternidade.

Nestas eleições discute-se o futuro de Portugal na Europa e a sua representatividade no Parlamento Europeu e este é o ponto do debate. Não se trata de avaliar a actuação do governo ou da oposição, mas sim escolher o rumo que Portugal vai seguir na Europa, outrora dos 15, agora dos 25.

O facto de terem entrado mais dez países para a comunidade europeia não é só um mar de rosas.

Temos de ter a noção que esses países serão simultaneamente parceiros e adversários de Portugal, na medida em que o facto de pertenceremos à mesma comunidade política e económica significa que todos esses países poderão competir com o nosso nas mais diversas áreas.

É preciso definir que caminho seguir para que as multinacionais estrangeiras presentes em Portugal não queiram mudar-se para países que fazem parte da comunidade, onde a mão-de-obra é mais barata e naturalmente as condições financeiras são mais atractivas.

É preciso definir que caminhos seguir em questões fundamentais e é preciso que os portugueses saibam o que cada partido pensa e pretende fazer no Parlamento Europeu para que possam votar em consciência. Estas não são as eleições que vão definir o governo de Portugal, mas sim os representantes do país na mais importante instituição a que pertencemos.

Sempre fui um homem dos desportos motorizados e como tal estou habituado a dar as instruções e avisos aos pilotos através de bandeiras com diferentes significados.

A mesquinhice com que determinados sectores da esfera política portuguesa querem centralizar o debate político no ponto em que ele ainda não está, mostra que estão completamente estagnados no tempo, pelo que há muito já lhes foi mostrada uma bandeira azul, que serve para indicar que o seu ritmo é demasiado lento e que tem de permitir a ultrapassagem dos mais rápidos.

A falta de sensatez política e a euforia histérica e desordenada com que fazem oposição, contribuindo para a apatia em que está mergulhada a instituição democrática por excelência, onde o debate e confronto político devem privilegiar os assuntos de maior interesse nacional, exige desde logo a amostragem da bandeira preta e branca, que adverte aqueles que não estão a seguir as regras do jogo da possibilidade de serem desclassificados, caso mantenham esse mesmo comportamento.

O que se impõe é que, a devido tempo, seja mostrada a estes senhores a bandeira preta, indicando-lhes que foram desclassificados por desrespeito das normas estabelecidas e péssimo serviço prestado à democracia portuguesa, estando assim excluídos da prova.




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