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Nótulas soltas da minha agenda

Não há liberdade de ensino: os pais continuam proibidos de escolher em liberdade e igualdade a escola para os seus filhos. O ensino livre não existe. Ainda lá não chegou a liberdade. E ninguém quer abrir esta ditadura: a do ensino!

N/D
10 Mai 2004

1 Morreu Armindo Salgado. Braga e os livros ficaram muito mais pobres. Era irradiante de simpatia. Modelar no atendimento. Fazia amigos. Deixa saudades. Eu, pessoalmente, lamento a perda de um Homem: amigo, alegre, brincalhão, competente, amigo de servir.

2. Cerca de 45 % dos jovens portugueses não acabam a escolaridade obrigatória. Dos que a acabam que preparação para a vida activa têm? O sistema educativo devia implodir (é de tão má qualidade que, se explodisse, os estilhaços ainda causavam estragos!…). Desde 1973 que de experiência em experiência, de modelo pedagógico em modelo pedagógico, se vai destruindo o sistema.

Os nossos jovens, é público, não sabem matemática elementar, não sabem ler nem escrever português, não dominam minimamente uma língua estrangeira. Têm maus hábitos e / ou nem sequer têm hábitos de trabalho. As escolas, mal desperta o calor, mais parecem campos de veraneio do que lugares onde se trabalha. Não há ministro que dê a volta. Resta a implosão!

3. Podemos votar no partido político que quisermos. Podemos escolher a bomba de gasolina que entendermos. Podemos frequentar ou não um templo religioso. Temos liberdade de expressão, mesmo para os maiores dislates. Há zapping para as televisões… Não há, porém, liberdade de ensino: os pais continuam proibidos de escolher em liberdade e igualdade a escola para os seus filhos. O ensino livre não existe. Ainda lá não chegou a liberdade. E ninguém quer abrir esta ditadura: a do ensino!

4. O célebre pediatra, investigador e professor universitário (Faculdade de Medicina, da Universidade de Lisboa) Gomes Pedro, culpa a “ausência de valores”, ” a dissolução familiar” e o tipo de “desenvolvimento moral” pelo escândalo que se verifica em Portugal quanto a crianças abandonadas pelos seus progenitores. Só em 2003, mais de 700 (setecentas!) crianças foram abandonadas em Portugal!

5. Foi um verdadeiro escândalo o que se verificou com a lista de colocação dos professores. Há que encontrar os responsáveis.

O ministro da Educação deveria mandar proceder de imediato a uma investigação que determinasse quem fez e por que se fez aquela vergonha! Dá-me a ideia que anda alguém a sabotar a vida dos professores (e, talvez a do próprio Ministro!)

6. “Isabel do Carmo, que não conheço, será uma médica competente. Recuperada dos ardores revolucionários, e também por força da profissão, será mesmo uma pessoa finalmente respeitadora dos valores da Vida. Acreditemos mesmo que esteja, enfim, convertida à Democracia”.

“Isabel do Carmo começou por ser uma combatente contra a ditadura, mas esteve depois ao leme de uma organização terrorista após a restauração da liberdade. Quis para Portugal um sistema ainda mais repelente do que aquele que tínhamos até 1974. As ideias de Isabel do Carmo apoquentam hoje quase que apenas Coreia do Norte e Cuba, mas naqueles longínquos anos foram uma ameaça a um País que se queria europeu, moderno e com futuro. O movimento que então dirigia colocou bombas, fez correr sangue, causou a morte de pelo menos duas pessoas e por tudo isso ela foi condenada a onze anos de prisão. Cumpriu alguns e foi depois amnistiada.

Entregar a uma cidadã com este percurso a Ordem da Liberdade é absolutamente ridículo.”

(Correio da Manhã – 04/05/02)

A transcrição foi longa, mas pode ajudar-nos a entender a contestação que se gerou pela condecoração atribuída pelo Presidente da República a Isabel do Carmo, a Ordem da Liberdade. Há cada ironia!…




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