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Ecologistas ou alarmistas?

A ecologia parece-me uma doença contagiosa. Todos nós estamos um pouco doentes: se algo afecta alguém, logo aparece o ecologista a explicar o sucedido e a arranjar um culpado. Esta vulgarização está a fazer perder a força e o sentido do rótulo de ecologista, porque há problemas ambientais que não são tão graves como os pintam, acabando por lançar o descrédito e levar ao desprezo dos problemas verdadeiramente graves.

N/D
8 Mai 2004

Os problemas ambientais não são todos igualmente graves e se o são realmente têm de ser contrabalançados por outras preocupações. A ecologia está a cair em exageros: em vez de informar correctamente, procura assustar-nos.
Dizia-me alguém, que está dentro do assunto: agora fala-se muito em papel reciclado; é uma medida que os ecologistas aplaudem, mas não pensam que o que se poupa no abate de árvores, se perde em poluição do ambiente, causada pelos produtos químicos necessários à reciclagem.

A preocupação pelo meio ambiente tem feito uma oposição cerrada e sistemática ao crescimento económico; se com isso têm eliminado alguns efeitos nefastos desse crescimento, os ecologistas mais uma vez exageram, recusando-se a reconhecer os benefícios. Para eles os problemas ambientais são uma corrida para o abismo e se nos descuidamos acabamos com a vida tal como hoje a conhecemos… A dar-lhes crédito, muito em breve generaliza-se a psicose do medo de viver.

Haverá algum problema ambiental tão grave como a amea-ça de uma guerra nuclear? Será comparável uma maré negra que invada as nossas costas marítimas, à guerra e guerrilha permanente e que dura há décadas no Médio Oriente? Pensemos que a Segunda Guerra Mundial causou cerca de três milhões de mortos e no Camboja o número de mortos andou por lá perto. Afinal o que destrói a vida em massa no nosso planeta, são as guerras, os desastres naturais, as epidemias, o despotismo de alguns governos, a pobreza e a fome a crescer em flecha, os ódios e conflitos raciais bem como as limpezas étnicas, etc.

O «efeito estufa», por exemplo, tem criado muita polémica; muitos cientistas duvidam se haverá ou não um aumento significativo da temperatura da Terra; se houver, dizem, até que ponto será? Esse aquecimento, a verificar-se pode demorar muitas décadas e entretanto as pessoas vão-se adaptando e na agricultura novas espécies, resistentes ao calor, poderão aparecer. Não nos alarmemos, mas sobretudo não minimizemos as capacidades e possibilidades humanas.

Os ecologistas, com a sua boa vontade, tornam-se alarmistas e de tal modo extremistas que quem não pensa como eles é egoísta e ignorante. Parece que usam sempre lupas de vidro escuro, para carregar mais as tintas.

Esta táctica não motiva as pessoas para a solução dos problemas, pois a sua maneira pessimista e exagerada de os ver, leva a deixar cair os braços num gesto de impotência – apresentam as resoluções tão insuperáveis que muitos desistem de tentar. Com bom senso, apresentando os problemas na sua real dimensão, encontrariam mais adeptos na busca de soluções; dar a «catástrofe» como consumada, faz dizer: não vale a pena lutar…

Os ecologistas atacam o crescimento económico, esquecendo que o remédio para resolver os problemas dos países mais pobres, é exactamente o desenvolvimento.

O Banco Mundial calcula que muitos milhões de pessoas não têm água potável, nem saneamento básico, nem acesso aos cuidados primários de saúde, tudo isto factores importantes nas epidemias do foro intestinal, que vitimam, por ano, milhões de crianças. Só com o desenvolvimento económico e portanto com mais riqueza, esses povos podem fazer face a tão graves problemas.

País rico não é sinónimo de país mais poluidor, uma vez que nos países pobres a ar é mais poluído do que nos países ricos.

Há realmente muita poluição. Há uma guerra feroz contra as centrais nucleares que podem ser um factor de desenvolvimento. Ora as atenções não devem estar contra as centrais nucleares, mas contra a falta de medidas eficazes de segurança – é aí que está o mal.

Defendamos o nosso planeta – a nossa casa comum -, mas não tomemos a «nuvem por Juno», senão acabamos por morrer, não dos malefícios da poluição, mas de medo…




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