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Algo de novo a Leste

De novo a Europa. E, porque não dizer, um novo sinal de esperança. Não apenas pelo Hino da Alegria que voltou a animar dez novas bandeiras integradas na União. Sobretudo, talvez, pela maior dificuldade ou desconfiança que este acontecimento pode suscitar: o alargamento a Leste. E é nesse risco que reside o novo fascínio da nossa história.

N/D
8 Mai 2004

Foi João Paulo II quem, mais insistentemente, lembrou que a Europa vai do Atlântico aos Urais.
Apesar de assumida teoricamente, essa redita verdade nunca se havia assumido em compromisso comunitário tão expresso e consequente. Aconteceu agora no papel e na celebração Europeia, com a tácita promessa de irmos mais longe.

Não se sabe quanto tempo ficaremos à porta da grande Rússia, que não decide definir-se como Europa. Percebemos que Woytila anda, há muito, a bater pacientemente a essa porta. Seria um novo passo para a humanidade, sem abdicações de cada história e de cada percurso. A Europa respira, de facto, a dois pulmões. E não se pretende criar um grande pulmão que extinga estes dois espaços de cultura e história.

Algumas reservas à Constituição Europeia dimanam do receio de fazer da Europa um aglomerado de países dominado por poucos.

Há culturas, valores e religiões que têm aconselhado alguma prudência no tratar um continente como se fosse um compacto de velhas pátrias.

Mas é bom, no tempo que vivemos, tentar concretizar sonhos de muitos séculos. A Constituição Europeia foi longamente meditada e debatida. Sabe-se que tem riscos e alçapões. Mas, como impulso de união de muitos, com respeito por todos, tem sabor a profecia do nosso tempo. Que, esperamos (de novo), não tenha medos jacobinos de explicitar o cristianismo como elemento determinante das suas raízes.




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