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Outro ponto de vista…

Hoje sinto-me triste, sinto-me um iraquiano…

N/D
7 Mai 2004

A violação dos direitos humanos deve merecer de nós uma viva condenação. Não podemos tolerar, em circunstância alguma, que alguém, por discordar da opinião dominante, seja sujeito a sevícias ou qualquer outro tipo de violentação.
As imagens chegadas do Iraque são absolutamente chocantes. Não têm justificação.

Sempre escrevi que a superioridade do mundo ocidental deve ser aferida pelo grau de tolerância e respeito com que trata os demais.

Este elemento diferenciador deve funcionar como impulsionador de novas práticas em outras civilizações. Só assim tem sentido falarmos em respeito pelo outro. Mesmo detido, mesmo em situação de guerra, estamos perante um ser humano, que até poderíamos ser nós próprios, e também por isso não podemos admitir comportamentos que não dignificam o humano, aliás renegam mesmo a sua própria natureza.

É evidente que não somos ingénuos e sabemos que muitas imagens podem ter sido construídas.

Contudo, o que se deve fazer neste momento é apurar todas as responsabilidades e tirar todas as ilações.

A intervenção no Iraque teve e tem sentido se significar para o seu povo um aumento da sua capacidade de se autodeterminar, de escolher os vários caminhos. O da tortura, do desrespeito não é seguramente um dos caminhos a propor.

A intolerância gera maior desconfiança, a falta de respeito pelo outro é gerador de conflitualidade e o mundo tem a responsabilidade em assumir uma visão nova.

O martirizado povo iraquiano não merece continuar neste sofrimento. Nada justifica as inqualificáveis violações.

Hoje sinto-me triste, sinto-me um iraquiano… Não tenho mesmo mais palavras, apenas apetece-me manifestar a minha indignação.




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