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A Queima das Fitas e o futuro dos estudantes

Esta é uma altura para reflectir sobre muitas questões relacionadas com o Ensino Superior

N/D
6 Mai 2004

Estamos em plena Semana da Queima das Fitas, na Academia do Porto. Vários milhares de estudantes universitários festejam o final de mais um ano de trabalho. Para muitos é a hora da partida. Concluídos os estudos superiores, iniciam o seu estágio, ou entram no mercado de trabalho.

Os pontos altos da Semana Académica são a Missa das Bênção das Pastas e o Cortejo que percorre as ruas da cidade Invicta. Na primeira, pedem a Deus a bênção, pelo intermédio da Igreja, para o exercício da sua profissão, na segunda dão azo à alegria, enfeitam os seus carros alegóricos, muitas vezes com frases de intervenção e chamadas de atenção, e desfilam até aos Paços do Concelho.

Esta é uma altura para reflectir sobre muitas questões relacionadas com o Ensino Superior.

Continuam a sair, poderemos mesmo dizer, às fornadas, milhares de jovens licenciados, sem conhecerem onde irão trabalhar, criando sentimentos de ansiedade e até de frustação. Iniciam-se os envios em massa de curriculuns para várias entidades empregadoras, sujeitando-se muitas vezes a trabalhos não coincidentes com a formação que fizeram. Quando conseguem um emprego, muitas vezes são discriminados por não possuirem experiência de trabalho, trazendo à mente a falta de desconexão de alguns cursos com a realidade.

Outra questão é a profusão de cursos, sem a natural correspondência ao mercado de trabalho, dando a ideia de que se inventam cursos superiores. Já existem tantas variantes dos cursos mais antigos, que actualmente quase que é tarefa impossível conhecer o curso pela respectiva cor das fitas.

Abandonou-se o ensino médio (técnico-profissional e bacharelatos), agora parecem querer reinstaurá-los, mas já existem milhares de licenciados sem colocação. O erro foi criar a ideia de que para se exercer qualquer profissão era necessária uma licenciatura, quis fazer-se um país de doutores e engenheiros, mas sem a necessária correspondência hierárquica e prática do ensino e do mercado de trabalho.

Lamentável, é também constatar nos anúncios e panfletos de oferta de emprego, pedirem como critérios de admissão ao trabalho, serem recém-licenciados, aproveitando capacidades, sem a natural correspondência de funções e de remuneração.

É imperioso repensar as políticas educativas, a sua ligação ao mercado de trabalho e o lugar dos quadros intelectuais na sociedade portuguesa, para a construção de uma sociedade evoluída e com qualidade de vida.




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