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Crítica objectiva e oportuna…

Tratando-se de políticos, olha-se com mais preocupação para os efeitos da publicidade em vez de se agir de harmonia com os deveres da consciência

N/D
5 Mai 2004

As pessoas que actuam no sector público da vida humana assumem, sempre, grandes e graves responsabilidades de ordem pessoal, social e moral. Estão, pois, sujeitas à crítica, ao julgamento da opinião pública. Isto implica duas realidades: a seriedade e a responsabilidade. E quem se pronuncia publicamente assume essa responsabilidade.

Importa, pois, que todo o cidadão esteja disposto e preparado para cumprir devidamente essa responsabilidade, mormente quando se expressa para o público.

Entre nós, os órgãos de informação olvidam, às vezes, ou muitas vezes, esta obrigação como se tem registado, por vezes, entre nós.

Acontece, porém, que, tratando-se de políticos, se olha com mais preocupação para os efeitos da publicidade em vez de se agir de harmonia com os deveres da consciência. E sentimo-lo no dia a dia.

Vejamos o silêncio intencional com que se escondem e depreciam os políticos que governam o País ou que militam em organizações que não são da sua feição.

Ouvimos, até, entre nós, a voz de comunistas que se mantêm obedientes às determinações que se lhes impõem e que ferem a democracia. Sem autoridade moral para se pronunciarem, fazem-no como função insubstituível da sua actividade política.

Entre nós, e no plano político, assistimos à ofensiva sistemática da “esquerda” contra o “centro” e a “direita”, ofensiva que se avoluma quando está no governo, actualmente em coligação.

Olvidam a natureza da democracia e o respeito que lhe é devido.

Chegou a tal ponto este “ódio” que a revolução de Abril nos primeiros tempos, em que o Partido Comunista tinha influência e poder de destruir tudo o que expressava a obra de Salazar, desde as escolas até à arte, destruindo o que publicamente havia sido construído em sua honra. O mesmo não aconteceu, nem na Espanha nem na Itália: Franco e Mussolini foram respeitados.

Na Espanha, os monumentos atestam a presença do político, desde o Vale dos Caídos, em Madrid, até Sevilha. E o primeiro-ministro do governo espanhol, governo que era socialista, declarou publicamente que não se tocava nos monumentos.

Entre nós, ainda hoje, na terra natal de Salazar, em Santa Comba Dão, o Presidente da Câmara não autorizou que ali se erga uma estátua ao conterrâneo.

Escrevemos tudo isto porque vamos referir-nos a um artigo objectivo, independente e muito oportuno que um oficial do Exército português escreveu no semanário “O Diabo” de 20 de Abril deste ano. Impressiona pela objectividade e pela verdade. A introdução ao artigo, da autoria de Brandão Ferreira, tenente-coronel, é clara.

Ei-la: «Existe, aparentemente, uma dualidade de vários cambiantes a nível nacional. Por exemplo, entre o mito e a realidade; entre a inveja e o desprendimento; entre o “Velho do Restelo” e o Infante D. Henrique; entre a traição e o patriotismo; entre Miguel de Vasconcelos e Nuno Álvares; entre nacionalismo e internacionalismo; entre maritimidade e continentalidade; entre cumprir as leis no estrangeiro e violá-las em casa; enfim (a lista podia continuar), entre o Bem e o Mal».

O artigo é intitulado: “Salazar versus Cunhal e o (des)norte da Pátria”.

Aos nossos leitores deixamos com antecipação o retrato dos dois: de Salazar e de Cunhal.
Do primeiro, de Salazar, diz: «foi um português de Lei que defendeu contra ventos e marés, intransigentemente, os interesses de Portugal contra amigos, adversá-rios, inimigos e, às vezes, até de si mesmo»; de Cunhal, diz: «defendeu toda a sua vida, objectivamente, os interesses de uma potência estrangeira – a URSS – e continua a defendê-los mesmo depois desta ter desaparecido».

Brandão Ferreira, ainda no desejo de informar devidamente os leitores, acrescenta: «Álvaro Cunhal foi sempre um homem, um político coerente e também parece que não há duvidas de que morrerá assim.

É capaz de ficar como epitáfio». «De Salazar podemos apreciar o valor da sua obra e a força das suas ideias, porque ele teve oportunidade de concretizar; de Cunhal podemos apenas imaginar o que ele poderia ter feito (e tivemos uma pequena prova nos idos de 74/75) e só podemos avaliar as suas teses pela lei que atravessa as paredes de vidro (fosco) do Partido».

O artigo de Brandão Ferreira aponta semelhança entre ambos e diz: «Os dois homens têm coisas em comum: têm origem humilde, subiram a pulso; têm superior inteligência: são íntegros no sentido em que nunca se aproveitaram da riqueza material em proveito próprio; foram duros, tenazes e persistentes, e não se pode dizer que o grau de coerência de Salazar fosse inferior ao de Cunhal.
Agora as semelhanças acabam aqui».

Brandão Ferreira expõe a seguir as dissemelhanças, o que veremos no próximo artigo.




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