Fotografia:
Tirar a limpo

Não é a primeira vez que Brito diz coisas do género, com consequências até ao momento invisíveis

N/D
4 Mai 2004

1 O Expresso online colocou aos seus frequentadores, na semana passada, a seguinte questão: «Que consequências irá ter a operação “Apito Dourado”?»

Vale a pena anotar as respostas recolhidas até à noite de sexta-feira: perto de 13 por cento dos leitores acreditam que haverá, a partir de agora, mais transparência na actividade dos dirigentes desportivos; pouco mais de oito por cento esperam separação entre política e futebol; mais de três por cento crêem na clarificação do financiamento dos clubes desportivos; mas a grossa maioria (75,45%) não tem hesitações: não haverá consequências nenhumas!…

Seria interessante saber se esta pesada maioria alicerça a sua convicção na certeza de que nada de muito anormal se passa no reino da bola; ou se, pelo contrário, admitindo problemas, crê que não há esperança de justiça…

Estou tentado a inclinar-me para esta desesperança; até porque não falta gente do meio a falar abertamente no sistema. Mesmo aos que não falam, lá se lhes vai ouvindo murmurar que sabem mas não dizem…

Pertenço ao número dos que não sabem, mas gostariam de saber. Por isso – e porque sou mais curioso que mil diabos – desejo que se vá ao fundo das questões e se sigam todas as pistas, já afloradas ou não: financiamento ilegal de partidos e outras coisas mais.

Quando se ouve empresários a justificar o que os leva a comprar espaços em recintos desportivos, ou a subscrever este ou aquele texto, ideia ou moção, o mínimo que pode sentir-se é perplexidade. E alguém se atreve a considerar imprudentes aqueles que, nestas circunstâncias, receiam a existência de poderes ocultos?

É, entretanto, claro que não pode haver justiça sem meios que ajudem a investigação e a produção de prova; como é também claro que não pode haver justiça sem cidadania, sem gente que escape ao jugo, recuse a conivência e o encobrimento.

2. Depois desta questão, eis uma outra que no fim-de-semana me sobressaltou: as declarações saídas de uma conferência de imprensa de Miguel Brito, no momento de deixar o lugar de vereador na Câmara de Braga.

Cito algumas: «a Câmara de Braga foi e é uma verdadeira empresa de fomento de interesses particulares»; «o poder é caduco, fala baixinho e negoceia por baixo da mesa»; «o Presidente da Câmara é o dono da bola».

Não é a primeira vez que Brito diz coisas do género, com consequências até ao momento invisíveis. Mas agora há um dado novo: Brito não ficou sem resposta. Realmente, o porta-voz do Presidente acusou o ex-vereador de ter convidado o autarca para um almoço onde haveria interesses no fornecimento de cadeiras para o novo estádio. Assim como quem diz: olha quem fala!…

Creio ser evidente que estamos, num e noutro caso, perante insinuações que não devem passar em branco. E, por isso, é mais que natural que ambas as partes tentem lavar-se da lama da suspeita lançada.

É claro que também podem desvalorizar as palavras, mandando pôr tudo na conta do calor do debate político… Mas, e os eleitores? Não têm estes o direito de saber quem diz a verdade e quem difama ou calunia?…

O melhor é tirar tudo a limpo!…




Notícias relacionadas


Scroll Up