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Por favor… Obrigado!

Saber pedir “por favor” e dizer “obrigado” é o segredo do que tenho feito este ano na associação a que presido. Foi desta forma que um dirigente explicou o sucesso das iniciativas da sua agremiação sócio-cultural de renome internacional.

N/D
3 Mai 2004

De facto, numa época pouco propensa a pedir, mas antes a exigir e a reivindicar, saber pedir “por favor” pode soar a menos poder, inferioridade ou até podendo comportar uma noção de menos apreço pelas suas qualidades ou auto-estima!…

Por outro lado, dizer “obrigado” poderá revestir a carga de rebaixar-se, quando eu até tinha os meus direitos e se ele/a me fez qualquer coisa é porque eu merecia, ele/a tinha obrigação, não fez mais do que devia!…

Estamos, por isso, ao usarmos as expressões “por favor” ou “obrigado” a remar contra a maré, senão na teoria pelo menos indo ao arrepio da maioria, na prática.

Valerá mesmo a pena encontrar o significado mais original das duas expressões. “Obrigado” resume uma frase mais ampla que diz: “sinto muito obrigado a agradecer”. Enquanto “por favor” abrevia “pode-me fazer o favor” ou “se me faz por favor”, entendendo “favor” como graça, acolhimento ou mercê.

Desta forma tanto num como noutro caso encontramos uma relação de proximidade com quem se solicita o fazer algo ou a quem se sente obrigado a agradecer o recebido. Ora é neste aspecto que as duas expressões revelam mais do que meros cuidados de boa (razoável) educação, mas antes uma vivência relacional de confiança, de respeito, de amizade e mesmo de carinho. Com efeito, não se agradece a quem nos diz pouco nem se pede a quem nos é indiferente… dessa indiferença fria, anónima e impessoal tão característica dos nossos dias.

Ouvi uma vez que até a pisadela ou o encontrão, que pode acontecer no autocarro ou na rua, se for acompanhada de um “desculpe” ou de um “obrigado” quando se consegue passar sem ser incómodo, ganha a capacidade de desculpa recebida do ofendido, enquanto se essas expressões não surgirem poderemos ter complicações e até discussão q.b. tanto na vida pública como familiar ou social.

Seria de incentivar os mais novos – e mesmo recordar aos mais velhos já um tanto embrutecidos – a cuidarem destas expressões, por forma a irmos construindo uma sociedade mais harmoniosa e onde os valores da educação nas pequenas coisas seriam mais polidos.

Já agora, “por favor”, queiram desculpar a (possível) perda de tempo de terem lido esta divagação. “Obrigado” pela atenção dispensada.




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