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Chover no molhado (34)

Mas afinal o que se quer, sobretudo, com tudo isto? Simplesmente descobrir o eixo do mal

N/D
30 Abr 2004

Tocam incessantemente, nas aldeias sertanejas, os sinos a rebate. Está plantado aí o alvoroço.
Gritam desesperadas, pela estrada fora, as sirenes dos bombeiros. Há acidente ou fogos. Lavram, por aí, aflições, gritos e gemidos.

Troam, sem piedade, os canhões, ceifando vidas e desmoronando cidades. Há desentendimentos e recíprocos entre povos.

É uma mina que rebenta, esfacelando os braços e atirando, para longe, as pernas dum infeliz. E eis nela os dentes arreganhados do ressentimento, do ódio e da vingança.

Vai ser assim o teu estado de espírito, envolvido de revolta e rejeitador, ao passares com a tua atenção, por cima disto, que agora vou dizer. Vou dizer o que muitos já têm dito – o homem é um ser de corpo e alma -. E outros – o homem é um ser composto de corpo e alma -.

Eu, porém, vou dizer-te que, em mim, e agora é que vai crescer a tua rejeição, o meu corpo é a minha alma. E a minha alma é o meu corpo. Diferentes e unidos.

Em mim, a minha carne é o meu espírito. E o meu espírito é a minha carne. Diferentes e unidos.
Em mim, o meu paraíso aceita o meu inferno. E o meu inferno abre-se ao meu paraíso. Diferentes, mas um mitiga o outro.

Em mim, a minha terra sobe para o meu céu. E o meu céu desce para a minha terra. Diferentes, mas calcorreiam o mesmo caminho.

Em mim, o meu cérebro é a minha mente. E a minha mente é o meu cérebro. Diferentes e conciliados.

Em mim, a minha emoção é a minha razão. E a minha razão é a minha emoção. Diferentes e interagem.

O singular abre-se ao universal. E o universal aceita o singular.

O concreto abre-se ao abstracto. E o abstracto aceita o concreto.

O meu conhecimento é a minha imaginação. E a minha imaginação é o meu conhecimento. Relacionam-se.

A minha Razão abre-se à minha Intuição. E a minha Intuição aceita a minha Razão. Diferentes, mas um é o prolongamento do outro. Equilibram-se.

O meu consciente desce até ao meu inconsciente. E o meu inconsciente sobe até ao meu consciente. Diferentes e iluminam-se.

Mas afinal em que é que me fundamento para fazer tão ousadas afirmações? Fundamento-me em meu Ser Concreto e Profundo. Porque este Ser Concreto e Profundo é Uno. E este Uno é Ser. E este Ser é Vida. E esta Vida é Amor.

Das potencialidades, ricas e dinâmicas do meu ser uno, desabrocham todas as diferenças, molduradas que são e continuam a sê-lo, pelo seu meio ambiente. Todas as diferenças, à sua maneira, gozam de independência. Mas a sua autonomia repousa no amor. No amor que é vida. E a vida é ser. E o ser é uno. E por que o ser é uno, todas as diferenças, na pessoa, têm de estar unidas, mas unidas segundo o desejo deste uno. Unidas em Vida. Unidas em Amor.

E a pessoa, a pessoa humana, tem de se esforçar por conhecer as suas diferenças. Tem de as controlar. Tem de lhes dar um sentido. E o sentido é o desejado pelo Ser Uno, Concreto e Profundo: o do amor; o da vida, através da força da unidade, da totalidade, da integração. Eis, aqui, onde rola o eixo do Bem.

Mas afinal o que se quer, sobretudo, com tudo isto? Simplesmente descobrir o eixo do mal.

Rola no torto eixo do mal todo o paradigma, que assenta na concepção de que o homem é um ser constituído por corpo e alma, bem como o que assenta na concepção de que o homem é um ser composto de corpo e alma. Os primeiros assentam a concepção do homem no império do dualismo, da fragmentação, do desequilíbrio. Os segundos assentam a concepção do homem no império da composição, da união. Mas da união alheia aos critérios do Uno, da Vida, do Amor.

Neste paradigma campeiam as atitudes de super-valorização para um lado como de desvalorização para o outro lado. Crepita aí o despotismo. E nos outros todas as atitudes negativas têm entrada e todas são valorizadas e justificadas.

Creio que todos estes paradigmas estão moribundos e que uma nova Revolução, a Revolução Holística, se aproxima…




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