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Vantagens e potencialidades do desporto

É necessário colocar o fenómeno desportivo no lugar que lhe compete, dentro de uma correcta escala de valores

N/D
29 Abr 2004

O facto de nos estarmos a preparar para o Euro 2004 levou a Conferência Episcopal Portuguesa a publicar em 13 de Novembro de 2003 uma Nota Pastoral sobre o Desporto. Tem por título «O Desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos».
Que seja lida e reflectida por todos, já que a todos deve interessar, mas às pessoas mais directamente ligadas ao fenómeno desportivo. É que o desporto e a prática desportiva deveriam dizer respeito a mais gente do que à que presentemente lhes presta atenção. A prática do desporto – não do desporto profissional e de alta competição – inclui-se no elenco de medidas a tomar para uma vida sadia, o que deve ser preocupação de todos. Por isso na Nota como que se formula o voto de que redescubramos «a importância do desporto na formação do homem integral».

Escrita a propósito do Euro 2004, nos seus dezassete números apenas entre os 10 e os 17 se refere ao futebol. É que o desporto não se reduz ao futebol, nem muito menos ao futebol profissional e de alta competição. O futebol é uma das muitas modalidades desportivas, algumas das quais, pelo serviço que prestam à pessoa, deveriam merecer mais atenção do que o futebol e do que o tal futebol.

O documento a que me estou a referir detém-se particularmente nas vantagens e potencialidades do desporto, quer a nível individual quer a nível colectivo, considerando-o um instrumento importante para a construção do homem integral e para a edificação de uma sociedade mais fraterna e solidária.

Transcrevo algumas das vantagens e potencialidades aí referidas: «No plano do indivíduo, o desporto contribui para preservar e melhorar a saúde, proporcionando uma serena distensão, uma ocupação salutar do tempo livre, uma forma de aliviar os inconvenientes e as dificuldades da vida moderna.

Além disso, o desporto educa o homem na pedagogia do esforço, do empenho, do sacrifício, da generosidade, na busca dos valores mais elevados, na superação dos limites, na aposta numa vida com valores e com objectivos. Finalmente, o desporto liberta o homem de todas as formas de egoísmo e potencia a honestidade, o altruísmo, o respeito pelos outros e até pela natureza» (n.º 5).

«O desporto facilita a integração num grupo, onde o homem pode encontrar parceiros que partilham os mesmos desafios e lutam por objectivos semelhantes. Além disso, o desporto constitui um vector de aprendizagem das regras da vida colectiva: facilita a aquisição de valores como o respeito pelos outros, a magnanimidade, a fraternidade, a solidariedade, a partilha, a generosidade, o altruísmo, a doação, o respeito pelas regras e pelas leis, o confronto leal; inculca o sentido da disciplina colectiva e da vida em grupo; ajuda a vencer o egoísmo, o fechamento em si próprio, a auto-suficiência e a evasão alienante; transforma os impulsos humanos, mesmo aqueles que são potencialmente negativos, em propósitos positivos; educa para a cidadania, para o compromisso comunitário e para a responsabilidade solidária; contribui “para a edificação de uma sociedade civil, onde o antagonismo é substituído pela sã competição, onde o confronto é substituído pelo encontro, onde a contraposição rancorosa é substituída pelo confronto leal” (n.º 8).

Mas também há aspectos menos positivos ligados à prática desportiva, como esse de o desporto «absorver de tal forma o homem, que o conduza a dispensar-se das suas responsabilidades religiosas, nomeadamente no que diz respeito à vivência litúrgica do Domingo» (n.º 7).

É necessário colocar o fenómeno desportivo no lugar que lhe compete, dentro de uma correcta escala de valores. Procurar que ele corresponda à sua vocação de formação e de valorização do homem integral. Ajudar os desportistas a tomarem consciência do dever de praticarem o desporto com desportivismo, sabendo ganhar e sabendo perder, agindo sempre com lealdade, reconhecendo o valor e o mérito dos outros, persuadidos de que «a vitória verdadeiramente humana e desportiva é a dignificação da pessoa humana».




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