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O nobel do marketing

José Saramago, merece um outro prémio. Por de borla, lá ter feito a melhor campanha publicitária do seu livrito. O prémio de melhor spot publicitário do ano

N/D
29 Abr 2004

José Saramago, o homem que dizem ter reinventado a escrita, está de novo no meio da polémica.
Desta vez não foi porque disse que «não sabe se em Cuba há democracia porque não conhece os boletins de voto». Nem por tentar sanear de novo «os fascistas» do Diário de Notícias.

Não, o homem que gosta de abraçar Fidel, lançou mais um ensaio, cujo conteúdo é irrelevante para polémica. Gerada, porque sendo candidato a umas eleições, vem apelar ao voto em branco.

Claro que tamanha inconsistência só podia dar ruído. Nem é preciso ler as suas intermináveis frases, de páginas e páginas sem pontuação num só e interminável fôlego, sem destino ou razão aparente. Afinal a inconsequência não é só do estilo, é também do conteúdo.

Porque de tiro em tiro, sem consequência e irresponsavelmente, Saramago faz aquilo que sabe.

Boicota a democracia participativa, que se sabe não perfilhar. Ridiculariza uma campanha eleitoral de um partido, que apesar de comunista, tem posições sérias e consistentes na defesa europeia dos interesses de Portugal.

Mas mesmo esse partido, parece precisar da sua estrela televisiva. Indisponíveis Maria Elisa ou Manuela Moura Guedes, Saramago é a cara conhecida, apesar das ideias gastas e recalcadas. Mas como mostram os índices de popularidade da esquerda do bloco, para que são necessárias ideias? Necessárias são umas notas dissonantes, inconsequentes e fáceis. E disso, Saramago cuja filha por ironia do destino, é candidata do Bloco, percebe bem.

O comité Nobel, que politicamente escolhe os oprimidos do capitalismo para reporem a pólvora seca nos livros, não tem culpa. Nós também não. Nem ele. Afinal o homem vive daquilo. Da venda dos livros. Dos direitos de autor. Como qualquer personagem etérea do mundo dos media, como qualquer Herman de pacotilha, nada como uma polemicazinha para manter o interesse.

Afinal nem só a Lili Caneças vive à custa das luzes. Nos dias que correm, esgotado o estilo, estafadas as ideias, conhecida a reputação, nada como uma pirueta para ganhar o prime time. À custa de uma facada na ideologia.

O PCP, coitado, não tem culpa de estar a ser usado. E José Saramago, merece um outro prémio. Por de borla, lá ter feito a melhor campanha publicitária do seu livrito. O prémio de melhor spot publicitário do ano. Ou de nobel do marketing.




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