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Não há coerência política…

Oxalá todos os portugueses se decidam acompanhar os debates que se efectuam no Parlamento Europeu para poderem sentirem pleno a responsabilidade dos eleitos e cumprimento da mesma

N/D
28 Abr 2004

A União Europeia vai oficializar-se, embora com um certo atraso, porque surgiram divergências sobre a mesma, que forçaram a um trabalho de revisão de algumas propostas nela contidas.
Será um documento importante no plano jurídico e político e sê-lo-á, certamente, no momento oportuno da sua vivência um documento histórico.

Nas próximas reuniões, onde uma comissão estudará a formação da mesma, haverá, certamente, divergências de opinião, que, aliás, a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha, já tentaram afastar ou retardar optando mais pela acção da mesma do que pela natureza política com privilégios para os países mais populosos, que eles são.

Embora não se tenha falado de outra situação ilegítima, não da organização mas de qualquer participante na mesma, o Partido Socialista português já deu uma oportunidade, que Alberto João Jardim, presidente do Governo da Madeira, trouxe para público no semanário “O Diabo” de 13 de Abril deste ano. E fê-lo com objectividade e oportunidade.

Vamos transcrever alguns períodos. É que nem sempre, mesmo os responsáveis, vêem os factos realizados ou a realizar com o critério que se impõe: objectividade e responsabilidade.

João Jardim escreveu: «Porque principalmente num momento destes, em que se torna necessário os Portugueses debater o como da sua inserção na União Europeia, o factor mais decisivo nas próximas décadas para o nosso futuro colectivo, “suas excelências”, os socialistas, vêm dizer que as eleições europeias são essencialmente para debater as questões internas do País!… Do País que a incompetência deles, fez ainda uma maior rebaldaria. Não é uma vigarice?!… E a “lata” é tanto maior quanto, numa espécie de constituição do “clube dos emigrantes ricos”, os socialistas propõem à eleição para o Parlamento Europeu… muitos dos principais responsáveis pelo estado a que “isto” chegou!…»

Parece que as palavras de João Jardim são objectivas, claras e oportunas. É que todos os portugueses devem saber o que se pretende com tal debate que vai realizar-se e em que a política estará presente, certamente, pois a organização é política, mas, certamente que abordará os problemas em ordem à organização europeia e não às “questões internas do País”.

Poderia, até, pensar-se que o Parlamento Europeu ia substituir o Parlamento nacional.

Alberto João Jardim deu ao título do seu artigo, no qual faz a análise crítica à decisão socialista, estas palavras: “A “lata” dos socialistas…”. Parece-nos que, entre nós, tem havido uma certa distracção para apresentar os temas debatidos ao público. Este, certamente, deseja saber como é que os órgãos políticos se conduzem. É uma exigência legítima e aqueles que, por dever do cargo, se pronunciam não podem olvidar essa exigência.

As questões de interesse do País estudam-se e discutem-se nos órgãos do País.

Aguardamos os acontecimentos para vermos como se apresentam e decorrem. Este facto deve interessar muito a sério os deputados e os cidadãos: aqueles, porque foram eleitos para o cargo; os outros, porque assumiram essa responsabilidade.

Bem sabemos que entre nós não se vêem nem estudam os problemas políticos nacionais com esta objectividade, devido à falta de preparação cultural, e, também, por falta, por vezes, do conhecimento da responsabilidade do eleito para cargos públicos.

Oxalá todos os portugueses se decidam acompanhar os debates que se efectuam no Parlamento Europeu para poderem sentir em pleno a responsabilidade dos eleitos e cumprimento da mesma.




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