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783. Senhor Ministro do Emprego e Segurança Social:

1 A 30 anos já do 25 de Abril, e preciso rever Abril! É pre-ciso rever Portugal! Estatisticamente, há no país um milhão de portugueses sem água, duzentas mil pessoas a passar fome, a pobreza atinge um em cada cinco cidadãos e cerca de meio milhão está desempregado! Em contrapartida, a corrida aos automóveis de luxo e os gastos sumptuários em viagens, habitações, estádios de futebol e eventos sociais continuam a proliferar por aí!

N/D
28 Abr 2004

Os factos são bem elucidativos da sociedade em que vivemos e reflectem, claramente, a falta de valores fundamentais em que deve assentar a natureza humana e privilegiar a vivência democrática. Valores como: a tolerância, a solidariedade, a fraternidade, a generosidade!
Parece mesmo, senhor Ministro, que, em 30 anos, não aprendemos nada ou aprendemos muito pouco. A liberdade que nos é facultada tem servido para muitos como factor de libertinagem e dominação; mormente, como factor de exploração e apropriação indevidas de riqueza, recursos e meios colectivos que tinham de ser utilizados em proveito de todos e não de alguns!

E este fenómeno, que se designa de chico-espertismo, tem raízes na nossa ancestral cultura de marialvismo, cabotinagem e agiotismo que fizeram as delícias e o proveito de muitos exploradores, aventureiros e marinheiros de antanho! E o maior mal é que, em vez de os criticarmos e combatermos, ainda lhes achamos piada e damos cobertura!

2. Por isso, senhor Ministro, e face à coisificação e impessoalização do pensamento moderno, é urgente o desenvolvimento, através do seu Ministério, do espírito de solidariedade entre todos os cidadãos. Não sei se através de uma educação de base, se de grandes campanhas de sensibilização nos media. Se de ambas!

As pessoas, hoje, vivem demais para o prazer e o luxo – o hedonismo e o consumismo -, para a satisfação imediata, e a qualquer preço, das suas necessidades e egoísmos, mesmo os mais triviais. Vivem muito para si próprias!

Não importa já o sofrimento alheio! A dor do sofrimento alheio! Quem se preocupa com o vizinho que não tem pão para os filhos, remédios para a doença ou roupa para tapar as vergonhas?

Somos, por cultura e atavismo, um povo muito dado ao conformismo, ao “deixa andar”, ao “estou-me nas tintas”. Ora, este estado de espírito, esta forma de estar, são alheios aos problemas e males sociais que nos afligem.

Todavia, se em cada cidadão existisse o amor à verdade, à justiça, ao próximo, muitas dessas nossas fraquezas e mazelas teriam remédio fácil. Como se no seu semelhante cada um se retratasse para o bem e para o mal. E, sobretudo, em cada um existisse o orgulho de pertencer a uma sociedade mais tolerante, solidária e justa!

Contra, senhor Ministro, o homem a coisificar-se, a impessoalizar-se, a ser um número, uma chapa, uma peça da engrenagem, só uma onda de solidariedade e generosidade pode vencer! Onda que venha de cada cidadão, empresa, instituição e através da Segurança Social, do Emprego e do Trabalho, a todos chegue e faça com que cada homem não continue a ser o lobo do homem que tem sido! E, a 30 anos já do 25 de Abril, deixemos de dizer que, afinal, está quase tudo por fazer!
Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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