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Com inteligência ou sem ela

Ressoam ainda os ecos da Ressurreição de Cristo, com as visitas pascais, as celebrações religiosas, os arranjos das casas e das igrejas, as flores e verdes colocados em lugares especiais, as concentrações das pessoas, os sons das campainhas, o troar dos foguetes, todo um mundo em agitação, convívio e alegria. Assim foi e ainda não se evaporaram dos nossos sentidos e da nossa mentalidade.

N/D
25 Abr 2004

E continuamos a viver a mensagem da Ressurreição de Cristo. Gostaria de trazer para aqui uma referência do Ressuscitado, quando a caminho de Emaús com dois Discípulos, sem se identificar, os ouviu pacientemente sobre os acontecimentos trágicos dos dias anteriores e lhes lançou este repto: «Oh gente sem inteligência e de espírito lento para acreditar em tudo o que os profetas disseram!» (Lc 24, 25).
Foi um safanão no seu pessimismo e apatia, um chamar a atenção para novas realidades e valores, um acordar para todo um mundo novo. Não é sem razão que à doutrina de Cristo se chama evangelho, isto é, boa notícia. Àquilo que é velho surge o que é novo, alvissareiro, ao que está ultrapassado aparece o que é actual. É o presente cheio de vigor e frescura projectado para o futuro de esperança e vida.

Estas palavras fortes e ousadas do Salvador vieram abalar o cepticismo dos Discípulos, a ponto de, no mesmo dia, fazerem a mesma viagem, mas no sentido contrário, voltando ao ponto de partida, para se centrarem bem nos lugares adstritos à história da redenção, a fim de, com os outros, recomeçarem tudo de novo, mas agora com novo dinamismo e nova coragem. Cristo estava com eles e com os outros e com todos os que se empenhavam no projecto da “boa nova”.

Mais que censura foi um apelo a aceitar um desafio e aposta numa missão que tinha começado e não podia morrer, tinha de ir além no espaço e no tempo, com novos valores e uma maneira diferente de agir.

Talvez Cristo quisesse também sacudir o cepticismo e indiferença das gerações seguintes e da nossa própria geração, com muitos crentes e muitos ateus, vivendo os primeiros uma fé baça, sem chama, e os segundos sem qualquer rasto de luz e de esperança, acomodando-se ao mundo actual apenas como passivos consumidores das ideias dos outros e negadores, por orgulho, desdém ou inércia, das verdades que os antepassados lhes transmitiram.

A Ressurreição de Cristo deve ser também um despertar das consciências para a necessidade dum mundo melhor, varado e dilacerado por tantas violências e tragédias, como as que acontecem na terra que Cristo calcorreou e onde pregou uma mensagem forte e persistente de paz, e no país vizinho do Iraque, que foi sede duma das mais antigas e célebres civilizações. Aliás, a Palestina e o Iraque tiveram outrora uma relação bem tensa e deprimente!

Talvez pouco possamos fazer, mas temos ao menos a força da nossa oração e dos nossos sacrifícios a favor da causa da paz.

A Ressurreição de Cristo vem também iluminar os nossos problemas sociais, sobretudo relacionados com a depressão financeira e o desemprego que abala tantas pessoas e famílias. É um apelo à esperança de melhores dias e de melhores actores no serviço público; e ainda de cada um fazer tudo para “dar a volta por cima”, como se costuma dizer, e fazer das trevas luz, da pobreza riqueza, do mal-estar bem-estar. Ajudar-nos-á a compreender que o nosso futuro depende mais de nós do que dos outros e de que o bem geral dum povo depende sobretudo do trabalho e esforço de todo ele.

É este o sentido da repreensão de Cristo Ressuscitado: o elevar da mentalidade para uma visão mais aberta e positiva e o despertar do ânimo e da vontade para uma grande doação e generosidade. Com o Senhor Ressuscitado.




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