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Outro ponto de vista…

Devemos dar aos vindouros um Portugal que aprende as lições da história e tem futuro

N/D
23 Abr 2004

Decorridos 30 anos da emblemática data do 25 de Abril de 1974, pressente-se alguma serenidade nas várias análises que nos têm sido dadas.
Para lá do furor esquerdista de uns poucos, sem relevância no contexto da maioria do povo português, a data, muito importante para todos nós, deve ser civicamente comemorada.

Nesse sentido, o fim da impunidade de alguns pseudo-importantes parece-nos ser um dos exemplos do melhor que Abril nos trouxe.

Temos hoje, em Portugal, um grau de exigência maior. Somos um povo mais esclarecido, menos sujeito à demagogia enganadora de alguns. Muito embora, ainda, não estejamos no nível mais elevado, o caminho percorrido faz-nos acreditar que estamos no rumo certo.

É por isso ocasião para prestar uma homenagem a muitos que de forma abnegada, sofrida, mesmo, têm feito por cumprir Abril.

Refiro-me, em especial, aos agentes da justiça, sejam eles força de investigação ou magistrados que com a sua acção têm demonstrado que, apesar das dificuldades, é possível separar o “trigo do joio” e punir, quando é o caso, os elementos mais nefastos que por aí têm andado.

O tempo da impunidade chegou ao fim e, este final de tempo, é início de um momento em que passamos a fazer parte do mundo verdadeiramente civilizado.

Este sintoma social e geracional cria-nos novo alento.

Este novo tempo, quero crer, funcionará de forma exemplar, pois os mais novos podem verificar que o trabalho sério e honesto compensa, que as sociedades têm regras para serem cumpridas por todos e, acima de tudo, a igualdade de oportunidades permitirá que os melhores sobressaiam, colocando o seu melhor ao serviço da comunidade.

Haverá melhor forma de comemorar Abril?

Com exigência, seriedade e solidariedade, seremos melhores e, também por isso, a nossa integração no espaço exigente da União Europeia valeu a pena.

Aos que fizeram de Abril uma nova realidade, um novo sentido e uma nova exigência, o nosso preito. Por tal, devemos dar aos vindouros um Portugal que, não renegando o seu rico passado, aprende as lições da história e tem futuro.




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