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A democracia e a informação

Não há formação cívica e política; não se consciencializa o cidadão para o cumprimento do seu dever

N/D
21 Abr 2004

Criticam-se, e com fundamento, os Governos, as Autoridades, que agem à sua vontade e descuram as fontes de informação, sejam escritas sejam orais, sejam de inteligência cultas sejam de vozes incultas.

A informação tem uma base e um destinatário.

E isto impõe um conhecimento objectivo do problema que se trata, o respeito pela verdade e as circunstâncias em que se age ou produz a mesma informação, a análise, ou a crítica. É que a verdade impõe-se sempre.

Um político de renome e fama mundiais, já falecido, disse: «A liderança exercida por meio da persuasão e a aceitação sincera de uma decisão adversa são elementos fundamentais da democracia».

Infelizmente, a democracia ou as democracias que hoje se exibem no panorama político e social, ou ignoram essa verdade ou a desprezam.

Sabemos que os partidos têm os seus programas, os quais são, por vezes, sujeitos a tendências políticas. Os partidos comunistas, até entre nós, não se exibem como democráticos?

Acontece, e todos o podemos verificar, que analisam os factos à luz das suas ideologias e não à luz da verdade dos factos. Ultimamente registaram-se alguns casos que esclarecem o que afirmamos.

O 25 de Abril, em seus responsáveis iniciais, impôs uma ditadura e não uma democracia.

E, quando esta, chegou o Partido Comunista agiu contra ela.

Entramos finalmente numa democracia legal. Mas aconteceram factos que expressam desrespeito pela democracia autêntica. Com Cavaco Silva, o País marcou uma posição nobre quer no plano interno quer no plano externo que os factos demonstraram.

Sucedeu-lhe o Partido Socialista, o qual deixou o País em péssimas circunstâncias, sem que assumisse a responsabilidade política do facto. Pelo contrário: preferiu a crítica, e tem preferido, ao actual Governo, que tenta resolver o grave problema criado e deixado pelos socialistas.

Isto se regista nos debates da Assembleia da República.

Na vizinha Espanha, os socialistas subiram ao poder com as últimas eleições.

O partido que governou a Espanha deixou o País enobrecido no plano económico e político. Numa manifestação da Direita de Espanha, após as últimas eleições, uma rapariga de Madrid, que nela participou, gritava: «E tu, Zapatero, fica a saber que não nos enganas nem nos metes medo. Nas ruas e nas praças de Madrid, estaremos alerta. Poderás encontrar-nos por aqui sempre que queiras».

Na França, as últimas eleições regionais derrotaram o Governo.

Acontece que, lemos na Imprensa, a Direita, a qual detém o poder, não se tem interessado pela solução dos graves problemas que hoje pesam sobre a França.

Acontece, um pouco, o que se passa entre nós: não há persistência activa por parte dos cidadãos na política que governa. Preferem o bem-estar, a prosperidade, o prestígio nacional através dos governantes e pelos governantes.

Não há formação cívica e política; não se consciencializa o cidadão para o cumprimento do seu dever.

A procura de lugares garantidos na Função Pública interessa, por vezes, mais do que o respeito pela democracia autêntica, a qual pretende servir a pátria e as exigências da mesma, feitas a todos nós.

Isto se verifica na corrida a lugares pagos, pelo cidadão, desde as câmaras municipais até aos órgãos políticos nacionais.

Impõe-se um trabalho cívico que forma e informa o cidadão e a sociedade, e que não seja a abertura do cofre para colocar os servos que se dizem fiéis.




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