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782. Meu caro Zé:

1 Os portugueses são uns refinados viciosos! Seja do tabaco, do tintol, da má língua ou da bola, eles largam tudo por um vício de estimação!

N/D
21 Abr 2004

Todavia, um estado vicioso, como qualquer outra maleita individual ou colectiva (a tuberculose, a toxicodependência, a sida…) e, contrariamente, ao que o Francisquinho opina de que nada melhor há na vida do que um bom vício, desvirtua o brio e a virilidade nacional!
Daí que, de boas intenções e melhores vícios está o inferno cheio! E os portugueses de raça, de pura raça, vão passando à história, sendo, nos dias que correm, mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um lusitano dos quatro costados!

Por isso, meu velho, destes comuns vícios nacionais tenho cá para mim que o tabaco é o mais pernicioso, porque gregário e insidioso, como o comprova a adesão da mulher, cada vez mais, a tamanho constrangimento.

Mas, lá que um homem, porque se agasta com o chefe ou se engalispa com a sogra, se enfrasque, solitariamente, nuns canecos, é lá com ele e a ressaca que lhe sobra; agora que se atraque e dependure, seja num mísero três vintes, seja num puro cubano e vá para o meio da cambada fazer fumaça e poluir os ares, isso é que não! Porque se quer dar cabo de seu cabedal que o faça a suas expensas e não ande a arrastar os demais ao sacrifício.

Assim, para não sermos tão fundamentalistas como os americanos ou os irlandeses, há que encontrar uma forma mais nossa, mais à portuguesa, de contornar esta malvada epidemia que tão caído traz o lusitano engenho!

2. Penso, pois, caro Zé, após muito matutanço, ter descoberto o vírus do tabaco! Estou mesmo embalado numa tese de doutoramento na matéria, já que os arremedos e as balelas de psicólogos, psiquiatras, médicos e sociólogos sobre o tema não têm passado de muito pano e pouca saia!

Por muito que nos custe não podemos ignorar que, histórica, cultural e geneticamente, não passamos de uma raça de mamões! Primeiro na mãe, na ama ou na vizinha, e mais tarde no biberão e na chupeta, já para não falarmos na política… depois na árvore das patacas do Brasil, na pimenta, no cravo e na canela da Índia, nos diamantes e no marfim de Angola, nas remessas dos emigrantes e, mais recentemente, nos subsídios europeus… sempre exercitamos, fielmente, a nossa mamomania!

(Quem me diz que até o próprio D. Afonso Henriques não terá sido um mamão de Castela?)

Olha que há mesmo, meu velho, quem toda a vida passe afeito a este vício nacional! Estou mesmo a lembrar-me dos mamões da República, que, coitada, de tão mirradas, chega a não ter tetas para tamanha cambada de viciosos!

Eis aqui, a primeira, a única, a ancestral razão da fumodependência – o vício da chupeta! E que, para mal dos nossos colectivos pecados, já não bastando ser este um vício, noutros tempos, só ao macho consentido, vai, hoje, já candidatando a mulher ao título de mamona nacional!

E se é de pequenino que se torce o pepino e se traça o destino, abaixo a chupeta e com ela a fumodependência e a mamadeira nacional!

Venham daí esses ossos e até de hoje a oito!




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