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Os bons hábitos de leitura, a família e a aprendizagem

Da vizinha Espanha, que tão perto está de nós e tanto desconhecemos, chega-nos a boa notícia de que por lá se fazem estudos e pesquisas estatísticas sobre a correlação entre os hábitos de leitura e a aprendizagem dos adolescentes de 15 e 16 anos.

N/D
20 Abr 2004

Os resultados, se bem que não surpreendentes, manifestam, uma vez mais que, quem lê habitualmente goza de vantagens nítidas sobre quem, ou por preguiça, ou por falta de hábito, ou por débito cultural, busca noutros meios ou num vazio de meios, alternativas pouco facilitadoras da sua aprendizagem.
Descendo mais ao concreto, a pesquisa feita chega a duas ideias conclusivas fundamentais. A primeira considera que o adolescente que lê habitualmente obtém, em geral, melhores resultados académicos. Mas não só: lê apreensivamente com mais facilidade e costuma ser mais imaginativo e criativo. A segunda aponta como principal veículo impulsionador da leitura o ambiente familiar e não tanto a escola, como algumas pessoas parecem acreditar. Esta não é de desprezar, bem como o ambiente social em que se vive. No entanto, cabe ao lar a parte de leão como melhor incentivador dos hábitos de boa leitura.

Mais uma vez, vem a talhe de foice salientar o papel essencial da família nesta faceta tão relevante da educação. Certamente que, se os pais são bons leitores, os filhos têm mais facilidade em sê-lo. «Quem sai aos seus não degenera», costuma dizer-se.

Mas o mais importante da questão é que os pais bons leitores têm tendência a falar com os filhos do que vão absorvendo através dos livros a que dedicam a sua atenção naquele momento. E também porque a leitura obriga uns e outros a interessar-se, não duma forma visual – como é o caso da televisão -, ou meramente auditiva – via rádio -, pelos temas que se abordam.

Os assuntos podem ser expostos primeiramente dum modo verbal por quem lê. Representam sempre, porém, a interpretação de quem é leitor naquele instante, pelo que se a outra parte deseja assegurar-se com mais plenitude do tema debatido, sofre a tentação de ela mesmo se debruçar sobre o texto para melhor assimilar, no plano pessoal, o que quer aprofundar e entender com mais perfeição.

Um livro fecha-se e abre-se. Nesta última situação, oculta uma mensagem que é necessário conquistar com um esforço mais forte, pois ler não é ter de bandeja tudo resolvido. Pelo contrário, convida à investigação própria do que o autor quer dizer, através duma abordagem mais intelectual e, por isso mesmo, mais tendente à elaboração pessoal daquilo que se vai entendendo.

A maneabilidade dum livro ou duma revista é outro factor que pode determinar que os adolescentes acedam com mais facilidade ao estudo dum assunto. Basta que o pai ou a mãe diga: «Lê o que o autor escreve, aqui, nesta página, e depois falamos sobre isso».

Atitude semelhante poderá tomar o adolescente em relação aos seus progenitores, mesmo quando o que pretende com a sua chamada de atenção é contestar – não é a adolescência a idade da contestação? – a opinião dos pais. Esta, mais fundamentada por certo, poderá dar lugar a um interessante diálogo familiar, onde gerações diferentes, com calma e serenidade, apresentam razões e perspectivas muito mais convincentes do que as que não existem, se, por exemplo, todos se espapaçam diante dum ecrã televisivo e se calam mutuamente. Paralisados pelas imagens, não se sentem movidos a falar, sob pena dos protestos dos outros, que querem ver e se sentem como que em hibernação mental durante todo o programa.

Enfim, mas não será também uma razão de relevo considerar-se que os pais que lêem se mantêm mais em casa, tornando-se assim mais acessíveis à conversa com os filhos?

Os bons hábitos de leitura parecem ter na família o seu caldo de cultura mais natural e espontâneo, como atestam os resultados da referida pesquisa…




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