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Quando os militares combatem incêndios…

Vinte e seis mil militares vão vigiar, nos meses de Junho a Setembro, as matas nacionais e perímetros florestais em quatro zonas de intervenção a norte do rio Tejo: entre Vila Pouca de Aguiar e Lamego, Lousã e Pampilhosa da Serra, Leiria e Pedrógão e Sintra. A operação com o nome de código “presença solidária” é uma iniciativa conjunta dos Ministérios da Agricultura e da Defesa, tendo como custos gerais estimados duzentos e cinquenta mil euros.

N/D
19 Abr 2004

Dividida em duas fases, esta acção envolverá cerca de duzentos militares por dia, que farão, em Junho, a prevenção de fogos, reparação e abertura de caminhos e aceiros, enquanto na segunda fase, nos meses seguintes, farão patrulhas motorizadas e apeadas como força dissuasora e recolha de informações.
De referir que as matas e florestas ao sul do Tejo ficaram – para grande descontentamento dos respectivos autarcas e outros intervenientes no combate a incêndios – de fora desta operação, apesar da vulnerabilidade (como se viu o ano passado) de inúmeros tecidos arvoreos e manchas verdes… concretamente na região algarvia!

Colhendo as lições dos incêndios do Verão passado, esta iniciativa pretende criar melhores condições para prevenir, detectar e combater esse flagelo com que o nosso país se tem de enfrentar ciclicamente.

Isso mesmo disseram em documento recente (finais de Março) os Bispos da Região Centro. Se bem que já nos primeiros meses deste ano tenham ardido matas e florestas (Sameiro, Oliveira de Frades, entre outras), continuamos a ouvir acusações dos vários sectores (bombeiros e autarquias) envolvidos nesta tarefa pública, sem percebermos quem, afinal, assume as suas responsabilidades na delapidação do nosso património colectivo. O próprio Presidente da República, através das presidências (e vão três!) dedicadas ao ambiente, tem ajudado a ponderar soluções, seja qual for o partido político governante ou em vigor ao nível local.

De facto, falta-nos uma cultura ecológica sadia de fundo, onde se respeite a natureza, sem haver necessidade do recurso às multas (sugeridas por um governante!), mas com difícil implementação na prática. Com alguma regularidade encontramos pessoas a deitarem papéis para o chão, a cuspir na rua ou a lançar pontas de cigarro fora das papeleiras ou dos cinzeiros.

Na prática não fomos educados para conviver com a abundância de meios (excessivos) florestais. Quem não se recordará dos pinhais regularmente limpos e cuidados, devido às dificuldades de matéria combustível e, por isso, ao menos junto das povoações, as matas eram limpas e, assim, retirada a possibilidade de arderem na canícula estival. Agora é preciso mobilizar tropas para suprirem o que os proprietários – com o Estado incluído! – não fazem pela limpeza habitual.

Talvez seja preciso incentivar a plantação, desde tenra idade, de árvores, procurando cumprir essa tarefa acometida a todo o bom cidadão! Se a maternidade/paternidade estão em crise como não haveria de estar também abalada a força reprodutiva na natureza… com o contributo humano.

A cidadania cuida-se em pequenas coisas. Quanto ao respeito pela natureza não se nasce logo ensinado nem se é (totalmente) perfeito. Pela educação em todos os níveis etários, meios culturais e etapas da vida havemos de começar por nós mesmos… e as lições aos outros serão de vida nesta… nossa Terra.




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