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Nótulas soltas da minha agenda

1. A propósito de uma recente polémica sobre a utilização das igrejas para concertos, reli a Carta do Papa João Paulo II aos Artistas. É espantosamente bonita e actual a dedicatória, que transcrevo: «todos aqueles que apaixonadamente procuram novas “epifanias” da beleza para oferecê-las ao mundo como criação artística»; «o artista [é] imagem de Deus Criador».

N/D
19 Abr 2004

Mais adiante o Papa escreve: «As obras de arte falam dos seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o con-tributo original que eles oferecem à história da cultura».
São Gregório Magno, que o Papa cita naquele documento, escreveu: «A pintura utilizada nas igrejas, para que as pessoas analfabetas possam ler, pelo menos nas paredes, aquilo que não são capazes de ler nos livros…» Poderá dizer-se o mesmo das grandes obras de música, para os “analfabetos das coisas de Deus”.

Quem pode ficar indiferente ao ouvir um Stabat Mater de Pergholesi ou a Missa da Coroação de Mozart ou a Paixão segundo São Mateus, de J. S. Bach? Não foi ouvindo o Magnificat, na Catedral de Paris, num longínquo dia de Natal, que Paul Claudel se converteu? E que dizer do eterno, profundo e riquíssimo valor espiritual do Canto Gregoriano varrido indecentemente das nossas celebrações litúrgicas e substituído por cânticos glicodoces?…

2. «A ruptura entre o Evangelho e a cultura é, sem dúvida, o drama da nossa época…» (Conselho Pontifício da Cultura, Para uma Pastoral de Cultura, 1999). É inquietante esta constatação.

3. A Câmara Municipal de Braga tomou uma medida acertada de apoio às famílias com filhos acima da média. Como se sabe, estas famílias gastam muito mais água por dia ou mês do que uma família só com dois ou três elementos. Passam, pois, a um escalão em que o consumo de água é penalizador. É uma «injustiça familiar».

Esta decisão da autarquia bracarense é de aplaudir e corresponde aos anseios de várias associações ligadas à Família. Há muitos anos que, pessoalmente, defendo esta medida social. Felicito o Presidente da Câmara Municipal de Braga e lanço-lhe o desafio de continuar a apostar na concretização dos direitos das famílias.

4. A Guerra no Iraque está a atingir níveis deploráveis de carnificina. De facto, uma guerra é sempre uma perda para a humanidade. Bem sei que há situações e situações. Casos e casos. Contudo… na guerra fica-se sempre a perder, mesmo que se tenha ganho a derrota de um facínora.

5. O Diário do Minho, nos seus 85 anos, deu-nos um visual mais moderno e atraente. Parabéns. Gostei muito do caderno que guardei.

6. Dorme, todos os dias, e já há muitos dias, debaixo das escadas de um prédio junto à Clínica de S.ta Tecla, um idoso. É triste chegar-se a velho nestas condições. Como cidadão tenho vergonha pelo facto. Abordei este senhor quer para lhe dar de comer quer para lhe perguntar se não arranja lugar num lar. «Não há lugar para mim!…» Será verdade?




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