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Desumana da verdade…

Não venho falar de horror nem quero alimentar os leitores com sentimentos de inspiração sado-masoquistas. No entanto temos de nos render à realidade nua e crua dos factos.Pesquisar sobre razões, ou investigar os autores é importante. Mas seria melhor diagnosticar as causas no Primeiro mundo de bem-estar, se bem que ameaçado por muito terror, mítica vanglória, irresponsabilidade e falta de solidariedade, as consequências que todos lamentámos.

N/D
17 Abr 2004

A Alemanha, que se tornou pacifista, com um dos maiores níveis do mundo, está empobrecida com o Socialismo, agora partilhado pela Espanha. Levou a uma contenção e crise impensável há uns anos: cortes drásticos nas pensões de reforma, por falta de natalidade e desemprego, redução e encarecimento da assistência na saúde, corte do subsídio de Natal e de férias – para já, a todos os funcionários -, falta de assistência, em tempo de veraneio a todos os segurados na caixa geral, obrigados a contribuir com 10 euros para a consulta médica e medicamentos…

Não subsidia mais tratamento de dentes nem oftalmologia, acabou com o subsídio de óbito, aumentou transportes e os impostos, água e luz, como tributos especiais nos lucros de juros em capitais acumulados etc. Fala na penalização dos casais sem filhos, celibatários… e redução das suas pensões mais tarde. Uma série de medidas que põem em causa o bem-estar paradisíaco apregoado pelo individualismo e consumismo, como motor de desenvolvimento económico, industrial, e promove o aumento da natalidade com ajudas a famílias mais carecidas, como tratamento para problemas de infecundidade e combate da homossexualidade. Faz questão da integração dos filhos de europeus e facilita a nacionalização em determinados casos.

Com mágoa, temos de reconhecer que quem mais paga a factura são os mais pobres – os estrangeiros e a classe média -, menos os políticos, grandes industriais e comerciantes, que têm todas as regalias de “fascistas”, vivendo como navabos… No entanto, o sistema tributário é rigoroso, mas incapaz de evitar todas as fugas. Muitos são os alemães que vão viver para outros países de Sol, com níveis de vida mais acessíveis, para gozar uma velhice mais tranquila e edulcorada, pelo menos como estupefaciente…

Quando vejo isto e comparo o que se passa em Portugal, fico impressionado com as reivindicações, os altos salários e altos servicos de funcionários, professores, doutores e magistrados da nossa respublica, como me condói uma sociedade de desdentados, maltratados, indesejados, megalómanos, pelintras engravatados… e o despesismo em estádios faraónicos de futebol e folclore nacional, mas defende, por humanidade, o aborto para os mais pobres e mal gerados.

Será este o novo nome da solidariedade dos pelintras? O engôdo de engravatados, mal saídos da miséria? O feérico balofo da vaidade mal assumida na riqueza? A factura da perda de consciência e de uma libertinagem desenfreada e cúmplice? Exulto com a melhoria de condições de vida, mas abjuro a vaidade que mostra o que não tem, como ostenta em riqueza o que não tem na cabeça, ou esmaga a consciência para aparecer com ar descoberto. Para onde iremos com tais fantasias? O Euro 2004 será uma confirmação do que podemos, ou do que somos em ostentação, pseudo-prestígio e vanglória atrevida?

País, com um povo marcado com fortes complexos de “atraso”, que se reveste de novo-riquismo e de presunção enfatuada e pergaminhos rotos, não será o melhor pregão para nos impor numa Europa, onde mendigámos subsídios, cheios de vírus como num hospital, enxarcados de fútil, balofo e bacoco, num reino que se confrange com os sofrimentos de vítimas do terrorismo e por Timor… e esquece os holocaustos, que prepara em surdina, em nome de humanidade covarde, que atenta contra a vida dos inocentes, quando devia pelejar por melhores condições de vida para todos, se tersasse a bandeira da solidariedade e frenasse a vaidade petulante que corrói alguns, mesmo disferindo discursos de bocas de sapo, que mais turvam as águas em que navegam, imbuídos de palavras de fraternidade, ou mesmo de complexos europeus, nivelando sempre por baixo os valores da solidariedade, e mesmo do socialismo ou cristianismo progressista.

E a Igreja, separada do Estado, anémica, pobre e sem grandes recursos, como reage? Limita-se a enviar professores – modelo de Religião e Moral para os poucos alunos, que nem serão os que mais precisam, ou a levantar casuística de ” cócegas espirituais”, ou psicadélica?!…




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