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A eutanásia e a medicina paliativa

A tendência para recorrer à eutanásia está a ganhar terreno e a fazer com que os médicos não se empenhem, tanto quanto deviam, na Medicina paliativa, não querendo com esta afirmação generalizar. Felizmente a maioria dos nossos médicos são contra a eutanásia e a medicina paliativa tem, entre nós, levado grandes avanços.

N/D
17 Abr 2004

Na Holanda, segundo a legislação vigente, a eutanásia é crime… em teoria. Há três situações em que se pode aplicar: a pedido do paciente; cooperação do médico no suicídio e eliminar os doentes que não estão em condições de tomar opções.
Estas situações não podem ocorrer de ânimo leve: o médico deve mandar um relatório às autoridades a quem compete provar se foram cumpridos os requisitos legais; o doente que pede a eutanásia deve estar afectado de enfermidade grave e irreversível, acompanhada de fortes dores, sem esperanças de melhoras ou cura.

Os casos de eutanásia na Holanda estão a aumentar e o Governo está a ficar preocupado, pois sabe que muitos dos casos que ocorrem não são declarados por quem o devia fazer, de modo que os números apresentados, mesmo que alarmantes estão abaixo dos reais.

O cidadão corrente constata que se avança a passos cada vez mais largos para a «cultura da morte» – cada vez mais médicos declaram ter praticado eutanásia e cada vez mais doentes a pedem. E porquê? Porque aos doentes não são facultados os cuidados oportunos. A maioria da população holandesa, segundo um inquérito, não quer a eutanásia se o médico lhe garante uma ajuda eficaz contra a dor, enquanto outros temem que lhes seja aplicada a eutanásia contra a sua vontade.

Herbert Hendin catedrático de psiquiatria de Nova York, depois de se debruçar sobre a problemática dos doentes terminais chegou à conclusão que a eutanásia não é solução. “Na Holanda começou a praticar-se a eutanásia em doentes terminais; passou-se para doentes crónicos; daí passou-se para os doentes com dores muito fortes ou que sofriam de doenças do foro psíquico e depois veio a eutanásia voluntária, até chegarmos ao estado actual de a aplicar sem o consentimento do doente. (…) A eutanásia identifica o médico com a morte, porque é o médico e não a doença quem determina quando deve morrer o doente. Os médicos evitam os doentes terminais, mas a sua obrigação é permanecer junto deles tratando-os, quando não os podem curar. (…) Se os médicos conhecessem melhor a medicina paliativa haveria menos casos de eutanásia. (…) Quando alguém sabe que a sua doença é incurável, sente medo”.

Na Holanda alguns médicos querem que a eutanásia seja despenalizada, pois que a prática clandestina vai crescendo.

Para deixar as coisas bem claras gostaria de transcrever umas palavras do livro Doença terminal – Valor da Vida Humana do Dr. José Maria Cabral, sobre os cuidados paliativos. “O alívio do sofrimento pressupõe a preservação da vida. A natureza do sofrimento sendo manifestação mais ou menos directa de alguma ameaça define claramente o sentido da intervenção para o seu alívio: respeito absoluto pelo princípio da inviolabilidade da vida. A utilização de meios tecnológicos deve aceitar limites precisos para não pôr em causa o equilíbrio da natureza. (…) Alterar a natureza muitas vezes significa desviá-la do rumo que lhe imprimiu o Criador. A suavização do sofrimento deve subordinar-se à realidade imutável da natureza”.

Actualmente é corrente os médicos informarem os doentes do seu estado mais ou menos crítico, mas faz-se silêncio quanto à morte e isto porque “hoje não estamos familiarizados com a morte e porque a ideia da morte nos angustia e nos deixa indefesos” (Oskar Mittag). Predomina hoje o desejo de não sentir a morte, mas segundo o citado autor, “viver com a consciência certa de uma morte próxima é essencial para viver os últimos momentos da existência de uma maneira digna e plena”.




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