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Segurança e liberdade

Importa não confundir os suicidas com os mártires. Estes dão a vida que amam, e por isso não a perdem

N/D
16 Abr 2004

Nestas duas curtas palavras estará a chave interpretativa da história e de muitas histórias da humanidade. Ninguém, sem segurança, se pode dar ao luxo de viver a liberdade. E, todavia, em nome da segurança se praticaram e praticam graves atropelos à liberdade. Como em nome da liberdade se puseram e põem em risco seguranças elementares da vida humana.
Hitler, Staline e todos os ditadores e déspotas, terão agido em nome da segurança. Mártires e heróis terão dado a vida pela liberdade, própria e dos outros.

O que hoje nos acontece é simples: queremos exercitar o pleno da nossa liberdade no máximo de segurança. E vamos deparando com alguma incompatibilidade. Por uma razão apenas: nem uma nem outra, nem as duas, contemplam o todo do ser humano.

O que está a passar-se a nível de terrorismo, como ataque surpresa e descontrolado à comunidade organizada, tem a ver com estes dois jogos que a humanidade nunca soube jogar com perfeição. É que, de permeio, há a justiça, e uma série de direitos e deveres que precisam ser respeitados e cumpridos. Há diferenças de raças, culturas, religiões, espaços, pátrias, patrimónios, que se arrogam o direito de violar toda a segurança e antepor-se a qualquer liberdade.

Quando o desespero atinge o rubro, tudo passa para segundo plano, incluindo a própria vida. Mas importa não confundir os suicidas com os mártires. Estes dão a vida que amam, e por isso não a perdem. Os suicidas jogam a raiva cega e decidem da vida própria e dos outros que lhes não pertence, em nome de uma causa que lhes veda os olhos da liberdade.

Todos queremos a liberdade. Mas precisamos merecê-la e não apenas protegê-la com a capa da segurança. Enquanto existirem extremos de carência em qualquer recanto da terra nunca a liberdade será tranquilamente fruída por quem quer que seja.

O susto que o mundo vive ronda a contradição de uma liberdade mal gerida e de uma segurança assente no ter e no poder de poucos. Grande é a riqueza e complexidade do nosso tempo.




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